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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Se é pra falar de amor


muito se fala de amor
antes do amor:

essa vontade
de ter o outro
ainda idealizado

essa saudade
de um encontro
apenas imaginado

é que a possibilidade de amar
parece amor consolidado

mas amor sem experiência
tem algum significado?


               também se fala de amor
               durante o amor:

               essa vontade
               de manter o outro
               enamorado

               essa saudade
               banida a cada encontro
               marcado

               é que a oportunidade de amar
               parece amor consolidado

               mas amor sem convivência
               não é um tanto precipitado?


                              e pouco se fala de amor
                              após o amor:

                              essa vontade
                              de ver o outro
                              sob cuidado

                              essa saudade
                              mantida a todo encontro
                              selado

                              a capacidade de amar
                              é amor consolidado

                              amor com resistência,
                              o único autenticado



Twitter: O amor já nasce velho.

domingo, 23 de outubro de 2011

O Grande Mandamento



diga:

quando foi
sua última prece,

consolo a quem adoece,
pedaço de bolo ao faminto,
abraço verdadeiro por instinto

- amar ao próximo como a si mesmo -

é tão mais difícil do que parece
ninguém se ama por inteiro
e se dá o quanto merece

amor é de dentro
e floresce:

doe-se

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Amar, verbo de ligação



todo tempo é pouco
todo tempo é curto

cada minuto contigo é louco
cada minuto sem ti é furto

quem fui eu antes de tua vinda?
a mulher que te sonhou um dia

quem é essa a que chamas de linda?
a mulher só que te quer companhia

se o amor existe há de ser isso
se o amor é real parece inventado

nada maior que esse compromisso
nada melhor que te ter namorado



Para Mário.
(e que Mário, o de Andrade, não me escute)

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Declaração de amor


do amor
que te tenho,
metade
é verso,
metade
é desenho

escrevo
e bordo,
bordo
e escrevo
que te amo
em alto relevo

e se disso
for feito o amor:
daquilo
que se escreve
e borda,

eu digo
que te amo
além,
tão além
que me transborda

um amor
que não se vê
todo dia:
pudesse voar,
eu te ensinaria


Imagem: Mademoiselle Marie-Therese Durand-Ruel Sewing,
de Pierre-August Renoir, 1882.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Prenúncio



de tudo há sinais:
amor que veste colete
caminha pro cais


A despedida se inicia bem antes do fim. (Twitter)


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Vale-tudo



Eu amo você não é clichê.
Te quero pra sempre não é demodê.
Amor tem linguagem e etiqueta:
nenhuma bobagem parece careta.


sábado, 30 de outubro de 2010

Platônico





Por que só agora
e não antes?
Há muito
seríamos amantes.
Felizes, talvez,
desde outrora.
E por que não o fez?
Por que só agora?

Que espécie de amor
é essa,
a viver desprovida
de pressa?
É amor que aguarda
retorno
ou que apenas se guarda,
como se morno?

Por que só agora
e não antes?
Temia
que nos fizesse distantes?
O que se perde de vida
a cada hora...
Pretendia dizer-me algum dia.
Pois me diga: por que só agora?


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

O amor e o amor do outro



Eu também
não amo
melhor
nem pior
do que ninguém.

Amo como sei.
Nem do jeito
que aprendi,
mas sim
de como inventei.

Um amor
cujo fim
seja sempre possível,
queira Deus
improvável.

Um amor
que a mim
pareça infalível
e à poesia,
quase inefável.

É assim
que eu amo:
com lábios e língua,
hálito, saliva
e todos os dentes.

Desde que o outro
não me deixe
à míngua,
que só há amores
se equivalentes.


Escrito a partir de O amor e o outro, de Affonso Romano de Sant'Anna.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Lírica



Sexo se faz com tão pouco:
corpo,
intenção,
movimento.

Amor é bem mais complexo:
alma,
atenção,
alimento.

Fato a que não se atravessa:
sexo sem amor é ato,
amor com sexo é peça.


Imagem: Romeu e Julieta.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Amor de rendição



Se te sou motivo
de desagrado,
porque vivo
a te pedir
palavras
de apaixonado,
por que te manténs,
com tantos poréns,
enfim,
ao meu lado?

É assim
que amo
e bem conhecias
esses meus modos
de século antepassado:
o apego às poesias,
o apreço pelo fado,
o sossego das mãos
em repouso
no avesso do bordado.

Vazias,
mas sempre ao aguardo
de um afago
mais que querido,
tido por inesperado,
que te ponhas
a meus pés
rendido
e em minhas fronhas
enamorado...


Imagem: A Girl Reading in a Sailing Boat,
de Alfred Chantrey Corbould, 1869.

domingo, 13 de junho de 2010

[...]



noite
de estrelas
sem letras

tudo
como gostaria

um romance
mudo
com a poesia


quarta-feira, 19 de maio de 2010

Coração



Que fazer com o pingente,
quando a corrente
perde um elo?


quinta-feira, 22 de abril de 2010

De ponta-cabeça



O melhor
do amor,
à minha maneira,
não é amá-lo
inteiro,
mas inteira.


terça-feira, 13 de abril de 2010

O erro



Talvez a expectativa
seja o erro.
Vive-se à deriva,
na ânsia
de um ineditismo ilusório.
Sabe-se tão só
que ao enterro
antecede o velório.
Daí a irrelevância
e o cinismo
de todo o resto.
Há algo, enfim, mais funesto
que o aguardo
do amor verdadeiro?
Crê-se que tem sabor de primeiro.
Pra mim, terá gosto de último.


sábado, 3 de abril de 2010

Demaquilante



Você
não mais me lê.
Se o faz,
não me decifra.
É como se eu falasse
em outra língua
- inacessível.
Como se a frase
de minha boca
soasse pouca
- quase inaudível.
Por que,
se lhe dei
meus códigos,
comandos
e senhas?
Se de mim
fiz relatos,
memorandos,
resenhas?
Tudo em vão,
impressão minha.
Você ignora
linha por linha.
Age por si
- incompreensível.
E eu volto
a estar sozinha
- já sem rímel.


Escrito há alguns anos.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

A valsa



Ao seu lado
e com seu zelo,
sou bailarina
que patina
sobre o gelo

- acumulado
de amores vãos.


Eu deslizo
e rodopio,
em passo
preciso
e esguio

- no espaço
ladeado por suas mãos.



A palavra valsa tem origem no verbo alemão walzen,
que significa girar ou deslizar.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A Pipa e a Esfera



a mulher
das dúvidas
ficou
com o homem
das certezas

em uma
recíproca proeza:

ele era sua certeza
ela era sua dúvida


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

100 mm



Ele revelou que a fotografa
às escondidas

com os olhos

quando ela distraída
põe os dela
num lugar qualquer.


Disse-lhe sempre bela
o brilho da pele clara

em feições de mulher

o contorno que lhe desce
da testa reta e pára
no queixo angulado e fino.


Percorrê-la assim tão doce
a ela soou como prece

a pose instantânea como sino

a chamá-lo ao compromisso
de adorá-la
como fosse.


Ele e ela quase noviços
à meia luz da câmara escura

ela o seduz

ele à procura
do perene viço
de sua face.



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Aurora

,

Mas o que há
de tão sedutor
em um vampiro?

O vislumbrar
de um amor
que seja eterno?

O olhar
de um calor
que vem do inferno?

Há mais virtude
na infinitude
de um suspiro...


Peguei carona no texto Crepúsculo dos casais,
publicado ontem por Fabrício Carpinejar.