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sábado, 24 de maio de 2014

Pixels


Onde, hoje,
a vida real é mais importante
que o seu registro em celulares?
Todos querem mesmo é anunciar
que foram aqui-e-ali
e fizeram isso-e-aquilo.
Ir e fazer tornaram-se méritos em si.
A vivência? Inteiramente secundária.


sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Tolos


não,
já não bastam
os muros,
as paredes,
os mármores,
as portas de aço.
eles querem pichar seus olhos.
para que vejam
ou para cegá-los?
uma pergunta,
uma só pergunta
diante do estrago:
eles julgam que enxergam?


terça-feira, 18 de junho de 2013

Salve, salve


eu assisto de casa ao movimento nas ruas
e me envergonho.

por que me mantenho ao sofá
se não vivo o país com que sonho?

eu sei que há
fartura de fome,
penúria de teto,
salas de aula e quartos de hospital miseráveis.

por que me calo,
se não pelo conforto das almofadas?

sei que há
preguiça parlamentar,
soberba no veto,
avareza de terno e gravata impecáveis.

por que me calo,
se não pelas pernas descansadas?

as ruas se colorem de jovens
de doze a cem anos de idade
num coro improvisado de protesto.

a imprensa ignora ou manipula o fato,
fala das copas, dos ouros e de todo o resto.

e eu me envergonho nesse pijama listrado,
como que indiferente às dores do povo.

é tão fácil censurar o manifesto.
confesse: o que tem feito por um Brasil novo?


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A provisoriedade do luto


corpo algum ressuscita.
os mortos permanecerão mortos
independentemente de homenagens e visitas.
mas as cinzas falam.
e denunciam o que ninguém quer ouvir.
há mais festas e fogos,
carnavais e jogos
que labor por aqui.
a autoridade viaja,
a vigilância adormece,
o proprietário enriquece:
a fatalidade data de alguns anos.
indolente,
o governo apaga incêndios
e paga perdas e danos.



sábado, 15 de dezembro de 2012

Em episódios


nada
nessa vida
é tão repentino,
nem mesmo a morte
dita súbita que de súbita
não tem nada, pois aguardada
desde que se nasce como destino

sim

nada
nessa vida
é tão inesperado,
nem mesmo um tornado,
que se faz tornado por ventos
de tempestade de nuvens estranhas,
o céu a dizer que também tem entranhas

assim

por que
nosso mundo
haveria de ter fim
agendado pra uma data,
tal qual compromisso ou festa
a exigir do homem terno e gravata?
todo fim caminho lento e sem passeata


domingo, 28 de outubro de 2012

Velório


Mataram alguém na esquina.
Das pessoas que passavam
fez-se uma multidão.
A vizinhança não,
mal olhou pela cortina.
Permaneceu em casa
diante do noticiário da tevê.

A multidão logo esvaiu-se,
que tinha mais o que fazer:
não havia sangue algum ao chão.
Onde é que já se viu morto que não sangra?
As tevês se desligaram
ao meio da novela.
Todos à luz da vela.



Escrito durante as oficinas do projeto Ave, Palavra,
promovido pela livraria A Terceira Margem.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Feicebuqui



Eu passeio pelo Face com peneiras.
Ou elas são muito finas,
ou nele só há besteiras.
Quase nada se aproveita:
apenas um ou outro artigo,
algum vídeo interessante
ou alguma imagem eleita.
De resto, futilidades.
Quase todos se creem celebridades:
expõem-se em fotografias íntimas
e noticiam os próprios destinos.
O que deu nesses meninos?
Por que se põem em vitrine?
Onde está sua autocensura?
Há assuntos que exigem cabine.
E eu saio do Face arrependida:
tempo desperdiçado nessa sociedade falida.


Twitter: O homem se revela pelo uso que faz das ferramentas.

domingo, 17 de julho de 2011

Potter e eu



um ciclo

[do primeiro
a que vi sozinha
a desejar um filho
na cadeira vazia

ao derradeiro
a que vimos juntos
ele já com dez anos
em minha companhia]


Para meu filho que, por coincidência,
é chamado de Harry aonde quer que vá.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Papo furado



Alguém me diga a serventia
deste debate sobre aborto,

se o que reina é a hipocrisia:
a cada cinco fetos, um morto.


Pesquisa realizada em maio do corrente ano.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

"Pior que tá, não fica!"



ele pediu voto
como se fosse ingresso.

admitiu
desconhecer o Congresso.

prometeu auxílio
aos pobres e a si.

candidatou-se
como quem dança e ri.

alegou ao povo
ser ele a verdade.

recebeu de São Paulo
real credibilidade?


Tiririca foi o Deputado Federal mais votado no país.

Já dizia Raul Seixas,
ao citar Aleister Crowley em Sociedade Alternativa:
Faz o que tu queres,
há de ser tudo da lei.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Vide bula



viagra genérico:
o prazer a preço módico
sem critério médico


quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Poluição eleitoral



Como posso

crer no candidato,
se antes do mandato

ele já suja a cidade inteira,
a cara lavada em óleo pra madeira
pisoteada por cada pessoa que passa?

Campanha limpa honra o asseio pelo passeio.

Respeita o chão que é público e alheio.
Prioriza o discurso e não o panfleto:
a sua fala em branco e preto.

Aquele lá é predador
a só ver o eleitor

como caça.


domingo, 27 de junho de 2010

O be-a-bá



Sobretudo à crítica,
é imprescindível educação.
_ Narra o jogo, Galvão!


domingo, 18 de abril de 2010

Botafogo



depois de três anos,
o título justo ou não:
FOGO É CAMPEÃO!


segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Flamengo



Qualquer que seja o seu time,
admita:
não há torcida
mais convicta.

Tanto crê
que sempre vence.
De virada,
com suspense.

E sai às ruas
de bandeira à mão...
Parece torcida
de seleção.


Aos meus amores flamenguistas.
Fotografia minha.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Aurora

,

Mas o que há
de tão sedutor
em um vampiro?

O vislumbrar
de um amor
que seja eterno?

O olhar
de um calor
que vem do inferno?

Há mais virtude
na infinitude
de um suspiro...


Peguei carona no texto Crepúsculo dos casais,
publicado ontem por Fabrício Carpinejar.