Insaciável a parede. Tão logo pintada, novamente se enche de sede. A perder-se, quase chega a coitada: trinca e infla, de si infiltrada.
E, recostada à cabeceira, como se ainda à beira de um sonho, com a tinta eu me ponho intrigada, a indagar: _ A que assistiu cada camada? Pois se logo se consumiu a parede, não há de ter sido por nada.
Talvez a expectativa seja o erro. Vive-se à deriva, na ânsia de um ineditismo ilusório. Sabe-se tão só que ao enterro antecede o velório. Daí a irrelevância e o cinismo de todo o resto. Há algo, enfim, mais funesto que o aguardo do amor verdadeiro? Crê-se que tem sabor de primeiro. Pra mim, terá gosto de último.