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terça-feira, 18 de junho de 2013

Salve, salve


eu assisto de casa ao movimento nas ruas
e me envergonho.

por que me mantenho ao sofá
se não vivo o país com que sonho?

eu sei que há
fartura de fome,
penúria de teto,
salas de aula e quartos de hospital miseráveis.

por que me calo,
se não pelo conforto das almofadas?

sei que há
preguiça parlamentar,
soberba no veto,
avareza de terno e gravata impecáveis.

por que me calo,
se não pelas pernas descansadas?

as ruas se colorem de jovens
de doze a cem anos de idade
num coro improvisado de protesto.

a imprensa ignora ou manipula o fato,
fala das copas, dos ouros e de todo o resto.

e eu me envergonho nesse pijama listrado,
como que indiferente às dores do povo.

é tão fácil censurar o manifesto.
confesse: o que tem feito por um Brasil novo?


terça-feira, 8 de junho de 2010

Brasil



Chamem-me de patriota
à vontade.
Eu amo
onde nasci.
É daqui
minha naturalidade.
Distante,
estou fora d'água,
com a mágoa
de minha fala
não ser boa
o bastante.
Meu chão é este,
em que piso
e me pronuncio,
em que não preciso
do desvio
da língua e origem:
palavra,
paladar,
papel moeda,
lugar
e bandeira.
Meus olhos,
alhures,
a tudo corrigem.
Sou de alma
brasileira.


terça-feira, 11 de maio de 2010

inCubado



e no entrededo
um charuto cubano
: o primeiro

aceso sem isqueiro
no desassossego
dos palitos de fósforo

a lhe intrigar
pelos lábios em prega
pelo segredo da pega
pelo medo de ser pego


Para Wally,
em recordação de uma noite temática entre amigos.