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sexta-feira, 8 de maio de 2015

Aos ares

 
o poema voou,
não sem antes
me chamar
a segui-lo.
 
sem asas,
como poderia
me arriscar
àquilo?
 
ainda que saltasse
ao sopro do vento,
eu sempre estaria
sem movimento.
e se o ar sôfrego
perdesse o fôlego?
trôpego, eu cairia
em dois tempos.
 
o poema voltou
e me disse
que o voo
é desejo.
 
em brasas,
ele haveria
de me levar
num lampejo.
 
foi assim que saltei
ao sopro do vento,
ao inspirar o primeiro
pensamento.
e se o desejo trôpego
perdesse o fôlego?
sôfrego, eu planaria
no contratempo.
 
 

domingo, 24 de março de 2013

Emergência


poesia:

antídoto
contra tédio

remédio
a contratempos

soro
antipreguiça

orvalho
que cai, lava e benze
e não aterrissa


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Original


quando se bebe da palavra
bebe-se da Fonte

a palavra é luz
disponível no horizonte

claridade cujo trago
esclarece ou inebria

não é dessa luz viciante
que é feita a poesia?


Escrito a partir de:

Poesia: aluzcinógeno verbal.

No princípio era o Verbo

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Míope



as palavras estão aí
nalgum lugar que desconheço:
por entre as pedras ao chão
em meio às colunas de gesso

e por mais que tropece nelas
ou esbarre em sua grafia,
a verdade é que mal as veem
meus olhos de miopia

sem elas não sou poeta
ou sou por estar incompleta?

escrever é posse
ou busca?

poesia é precoce
ou tardia?

poema é palavra
ou silêncio que se pronuncia?

eu sei que sigo andarilha
de óculos e sapatilha,
as palavras por aí
nalgum lugar que desconheço


O Doce de Lira faz 3 anos.
Obrigada a todos os leitores!

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Licença poética



e não é que a poesia
ficou tão preguiçosa,
que, da noite pro dia,
fez-se prosa?


quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Peregrinas



sempre saio
a caminho das letras
e me perco
entre sílabas

as palavras
não têm lugar


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O mágico emblema



Não admito
que me ditem
as letras.

Não há rito
pra que se editem
os versos.

Vale o escrito:
livre, por conseguinte.

Tão mais bonito,
quanto menor o requinte.


Escrito a partir de O trágico dilema, de Mário Quintana:
Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer,
é porque um dos dois é burro.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Coisa de ninguém



a poesia
não é minha filha:
não me vem do útero
bacia
e virilha

a poesia
não é minha arte:
não me vem do estudo
bibliografia
e encarte

a poesia não me vem
a poesia não é minha


Para Lara Amaral,
em um diálogo com seu poema Mãe desnaturada,
publicado em 1º de maio no espaço
Teatro da vida.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Sacerdotisa



Nasci com hábitos
de coruja.
Minha garatuja
continha estrelas.
Sozinha,
ergui um templo.
A exemplo do sol,
persegui o equinócio.

Entre o fogo e a água,
sempre fui a brisa.
Pelo poder da palavra,
escolhi-me poetisa.
Não seria
a poesia
um sacerdócio?


Poema publicado no Maria Clara em 13 de fevereiro.