Mostrando postagens com marcador premiados. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador premiados. Mostrar todas as postagens

sábado, 6 de outubro de 2012

Estrelas


Espia, que o céu é comprido.
Confia, que o céu não tem fim.
Satélites mostram galáxias.
Quantas estão no camarim?

  

 
Poema minimalista inspirado na tela A Fronteira do Universo, de Carlos Zemek,
a qual retrata, a partir de fotografias do ponto mais distante do universo,
as galáxias mais longínquas e a fronteira tempo-espaço.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Contando estrelas



Todas as noites,
no aconchego dos seus braços,
eu conto estrelas
em um céu imaginário.

Quantas estrelas
cabem em seu abraço...
Chego a perdê-las
nos seus pelos
que embaraço.

Como podem
tantas estrelas
em tão diminuto espaço?

Em seus braços,
o céu que imagino
é sem compasso.
Não tem fim,
nem começo.

E quando as estrelas
enfim se apagam,
eu adormeço.


Classificado no Concurso Literário Internacional Mulheres Escritoras.
Integra a obra Mulheres em Prosa e Verso,
publicada pela editora Hoje Edições Ltda.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sobras



Eu tenho ficado
com o cansaço,
o sumo
que sobrou no bagaço,
o resumo
riscado,
o trocado,
o farelo.
Por que
se mereço
tanto?
Quer sol quem dá amarelo.
Quer som quem oferece o canto.
Quer colo quem divide a cama.
Quer amor quem ama.


Classificado no Concurso Literário Internacional Mulheres Escritoras.
Integra a obra Mulheres em prosa e verso,
publicada pela editora Hoje Edições Ltda.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Coragem!



Se o amor se acabou,
se de mim se cansou,
se assim se perdeu
o que
até então
se viveu...
Se a paixão se desfez,
se o destino apagou,
se a dor
se instalou
realmente
de vez...
Se as mãos se soltaram,
se os olhos se desencontraram,
se os passos seguiram
caminhos
distintos....
Se falta cumplicidade,
que se sobre coragem,
para ver que
esse fogo
já se foi extinto.



Poema escrito há mais de 15 anos,
classificado no 6º Concurso Álvaro Nuno Pereira.
Integra a obra Pérgula Literária VI,
publicada pela Editora Valença em 2004.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Lição de casa





Ensinei-lhe não
a exclamação.
A entonação
ele já tinha!
Eu ensinei
foi o ponto,
o tracejo da linha.
Como se lhe dissesse:
_ Pronto, filho,
está apto
a redigir preces,
a rabiscar poemas,
a se deslumbrar em frases
quando queira.
E prosseguiu
a aula-brincadeira.
_ Para falar de saudade, mãe,
eu posso usá-lo então?
Foi quando lhe ensinei
os três pontinhos:
saudade são reticências no coração...


3ª Menção Especial – honraria destacada
no Prêmio Nova Poesia Brasil 2009.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Minudências



Os dias se sucedem
sem que os lábios sequem...
Você me bebe
e eu lhe bebo
no desassossego
dos pequenos goles.
Em lentidão,
você me percebe
e me descobre,
eu lhe percebo
e lhe descubro
na vastidão
de cada detalhe.
Sei que busca
da minha alma
o talhe;
sabe que busco
da sua,
o matiz.
Você me beija
e eu lhe beijo
dando a diretriz.
E criamos elos
entre o que há de gestos
e o que se diz.
As verdades vêm
em medidas.
Não vive o amor
das minudências sentidas?


Escrito em 2007.
Obteve, em 2008, o 3º lugar geral
na 2ª edição do Concurso Internacionalizando o Jovem Escritor.
Debatido no Estúdio de Criação Poética em junho de 2009.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Fim da festa



Há uma solidão tão minha
que até de mim se disfarça
quando estou sozinha.
E não passa
onde quer que eu esteja,
porque sempre me segue
sem que eu sequer a veja.
Ela está aqui,
escondida,
mas quase despercebida
num beijo de amor.
É quando quase alcanço o céu...
... e de lá me assombro!
Quanto mais fantasio,
maior o vazio,
pior o tombo;
pois não há amor
sem alguma expectativa,
nem há expectativa
sem alguma dor.
Ilusão...
Desilusão...
É sempre o que resta.
A solidão é o fim da festa.
Quando muito,
há paetês no chão.
Ao menos sei
que é assim
e guardo pra mim
essa lucidez nas mãos.


Um dos quinze poemas selecionados no IV Prêmio Literário Livraria Asabeça
– Poesias, Contos e Crônicas, realizado em 2005, pela Scortecci Editora.
Integra a respectiva antologia.
Publicado no Poema Dia e debatido no Estúdio de Criação Poética,
respectivamente, em fevereiro e junho de 2009.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Canja de filhinha



De onde
essa fome
de família?
Da mesa vazia de meu pai
ou do meu jejum de filha?
Meu pai não me deu sopa,
nem eu, a ele, colher de chá.
Não houve,
se bem não esqueço,
entre nós,
sequer um jantar.
O preço?
Ele não manja
que odeio manjar;
que já sou marmanja
e sei cozinhar.
Talvez nem note que fiz essa canja
pra nossa gastrite passar...



Selecionado no 6º Concurso Guemanisse de Contos e Poesias.
Integra a obra Narrativas e poéticas, publicada pela Editora Guemanisse em 2008.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O tempo



O que é a vida
se não uma sucessão de ontens?
- penso eu.
O dia da morte
não será ontem
pra quem morreu.
Vive-se de criar
o ontem
do dia seguinte.
Vive-se de pintar
o passado
em quadros
de pouco mais
de vinte metros quadrados.
O hoje é ficção:
diminutos
fragmentos de minuto,
partes
de um ontem em construção.


6º lugar no 1º Concurso Literário da Academia Campista de Letras, realizado em 2009.

Prêmio: publicação na Revista da Academia.
http://www.camposletras.com.br/artigos.php?id=22

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pelo ralo



eu protejo
o choro
até o banho

lágrimas
e gotas de azulejo
têm iguais
intervalo
e tamanho

e seguem
pelo ralo
indefinidas

- ninguém mais
pra saber de nossas vidas


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Desde menina



Pequenina, dormia com Deus
e sonhava com os anjos.
Acordava com velas acesas
em meio a arranjos.
Minha mãe me falava de almas
e apontava o céu
como a casa do Pai.
Todos dizem
que a casa da gente
tem a aura diferente,
uma paz
que por nada
se esvai.
Meu avô
sempre esteve na nuvem
mais bela que havia
por detrás da colina.
Hoje entendo
o que diz o Pai-Nosso,
mas venho rezando
desde menina...


Escrito há mais de 15 anos.
Prêmio de edição no I Concurso Literário São Miguel em Prosa e Verso, realizado em 2004.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Versos perdidos

Aos poetas o computador literalmente engana.
Não há, ao final, evidências
do quão trabalhoso foi, afinal, seu trabalho.
Não há linhas riscadas,
palavras suprimidas
ou folhas de papel desprezadas.
Há somente versos perdidos,
como se jamais tivessem existido,
como se escrever fosse tão só intuitivo,
como se o poema na mente já fosse vivo,
como se poeta tivesse mãos assim tão abençoadas...


2º lugar no 4º Concurso Regional de Poesia da FACECAP
Faculdade Cenecista de Capivari/SP - 2004
Imagem: rascunho de Fernando Pessoa
http://www.biografia.wiki.br/fernando-pessoa-poeta.html

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Perdido em mim



Você vem
e sem pressa
me abraça.
Nessa demora,
meu corpo no seu
se enlaça.
Suas mãos,
na hora,
dizem pra ser assim.
Então logo
me ajeito em seu colo,
pra sentir,
num beijo,
você junto a mim.
E, nesse arrepio
que não é de frio,
eu balbucio,
ao seu ouvido,
que sim:
seu corpo
no meu perdido,
como se nele
tivesse fim.


Selecionado no 3º Concurso Guemanisse de Contos e Poesias, realizado em 2006.
Integra a obra Convergentes, publicada pela Editora Guemanisse em 2007.

domingo, 12 de abril de 2009

Renda-se!



Antes de me reputar tão insana,
procure render-se, uma só vez,
ao universo, sobre o qual se engana
aquele que nele busca porquês

para não crer no que está tão oculto
e, a um só tempo, tão revelado.
O mundo, em meio a esse tumulto,
pede ao homem que o sinta, calado.

Assim as vozes dos anjos nos vêm.
Enfim capazes de crermos além
do que nos dizem os olhos ser lenda.

E a tudo vendo como energia,
ódio é feitiço; paixão, magia.
Encontre-se nisso... então se renda!

Menção honrosa no VIII Concurso Nacional de Poesias Menotti Del Picchia.