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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Solidão

 
a solidão
é solitária por vocação.
precisa estar sozinha
sozinha na solidão
de estar sozinha
sem senão.
se não é solitária
não é solidão
nem está sozinha
é apenas senão
da solidão.
 
a solidão
é solitária por opção.
deseja estar sozinha
sozinha na solidão
de estar sozinha
sem senão.
se não é solitária
não é solidão
nem está sozinha
é apenas senão
da solidão.
 
a solidão
é solitária por frustração.
odeia estar sozinha
sozinha na solidão
de estar sozinha
sem senão.
se não é solitária
não é solidão
nem está sozinha
é apenas senão
da solidão.

solitária
a solidão
é seu próprio senão.



Para a querida Bia,
em um exercício após Gertrude Stein.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Soluço



Desci ao porão
pra rever
monstros antigos
- mas fui em vão.

Descobri
que se tornaram
meus amigos
- logo, somem na escuridão.

De companhia,
restaram-me
vinhos
- a uns poucos degraus do chão.

Embriaguei-me
de apatia
aos golinhos
- subsolo da solidão.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Abismo in cômodo



Solidão
tem andares.
E quem aguenta
se acomodar
na cobertura?
É lá
que mais
se distancia
dos lugares.
É onde
cumprimenta
a melancolia
à loucura.


Para Marcos Marinho,
ator solista da peça teatral Meu dia perfeito,
escrita e dirigida por Ricardo Martins.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Confissão aos homens



toda mulher
traz uma sombra no olhar
------------------------------- não de maquiagem -
e carrega um peso nos ombros
------------------------------- sem qualquer bagagem -

toda mulher
parece estar nua
------------------------------- mesmo vestida -
e se faz conhecer aos outros
------------------------------- sempre escondida -

toda mulher
se encara no espelho
------------------------------- aos por quês -
e se sente verdadeiramente só
------------------------------- apesar de vocês -



segunda-feira, 6 de julho de 2009

Fim da festa



Há uma solidão tão minha
que até de mim se disfarça
quando estou sozinha.
E não passa
onde quer que eu esteja,
porque sempre me segue
sem que eu sequer a veja.
Ela está aqui,
escondida,
mas quase despercebida
num beijo de amor.
É quando quase alcanço o céu...
... e de lá me assombro!
Quanto mais fantasio,
maior o vazio,
pior o tombo;
pois não há amor
sem alguma expectativa,
nem há expectativa
sem alguma dor.
Ilusão...
Desilusão...
É sempre o que resta.
A solidão é o fim da festa.
Quando muito,
há paetês no chão.
Ao menos sei
que é assim
e guardo pra mim
essa lucidez nas mãos.


Um dos quinze poemas selecionados no IV Prêmio Literário Livraria Asabeça
– Poesias, Contos e Crônicas, realizado em 2005, pela Scortecci Editora.
Integra a respectiva antologia.
Publicado no Poema Dia e debatido no Estúdio de Criação Poética,
respectivamente, em fevereiro e junho de 2009.