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domingo, 2 de setembro de 2012

Em graças


há sonhos a que se guarda uma vida inteira.
de tão importantes, eles não têm urgência.
permanecem anos a fio sem esteira
em estado de silêncio e paciência.

são sonhos com que se pode morrer feliz.
guardados, terão cumprido sua missão:
muito antes de qualquer flor, serem raiz,
a fazerem dessa Terra um lindo chão.

e se o destino trouxer a tão grande sorte
de realizá-los antes mesmo da morte,
que da própria alma se possa ouvir um grito.

quando um sonho se transforma em realidade,
há que se sentir bem mais que felicidade:
de sonhador quase que se passa a bendito.



Um sonho realizado:
aprovado pela Lei Murilo Mendes edição 2012, um livro meu será publicado!
Muito obrigada a vocês, leitores, por me possibilitarem esta conquista!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Dia do idoso



nenhuma ruga sua é sem motivo
o rosto é o retrato de sua história
a prova inconteste de que está vivo
guardada em cada vinco uma memória

talvez seu caminhar seja mais lento
natural fazer-lhe o tempo um agrado
sem pressa pode admirar o vento
mover cada cabelo cacheado

é possível que se sinta sozinho
sem alguns amigos pelo caminho
e chore então um silêncio saudoso

toda essa sua emoção desmedida
é porção que lhe sobeja de vida
- somente a certidão lhe diz idoso


Cem anos é uma bobagem.
Depois dos setenta, a gente começa a se despedir dos amigos.
O que vale é a vida inteira, cada minuto também, e acho que passei bem por ela.
Oscar Niemeyer, nascido no Rio de Janeiro, em 15 de dezembro de 1907.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Meias verdades



se te disser a verdade direi que minto
não pelo inegável prazer que há na mentira
mas por ser branca e suave a taça que a vira
enquanto a verdade é vinho seco e tinto

se minha boca suporta dizê-la inteira
eu creio que a tua não tolera prová-la
não é todo segredo que cabe na fala
as uvas mais acres que fiquem na videira

brinda comigo sem receio ou amargura
que te direi ao meio essa verdade escura
há detalhes que se devem silenciar

as palavras por mim muito bem escolhidas
serão as mais doces dessas uvas colhidas
pra que não as desaprove teu paladar


segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sem alarme



o tempo passa e a idade avança
sem que a gente se aperceba da marcha
de repente não se é mais criança
inclusive mais cedo do que se acha

da queda da bicicleta à do beijo
da lágrima de manha à de charme
da repulsa ao sexo oposto ao desejo
o tempo segue em ruas sem alarme

quando se vê já se tem uma história
tão bela e rica, tão longa e antiga
que até de si quase a gente duvida

pois se tem como de ontem na memória
a lembrança da primeira cantiga
pela frente ainda toda uma vida


domingo, 12 de abril de 2009

Renda-se!



Antes de me reputar tão insana,
procure render-se, uma só vez,
ao universo, sobre o qual se engana
aquele que nele busca porquês

para não crer no que está tão oculto
e, a um só tempo, tão revelado.
O mundo, em meio a esse tumulto,
pede ao homem que o sinta, calado.

Assim as vozes dos anjos nos vêm.
Enfim capazes de crermos além
do que nos dizem os olhos ser lenda.

E a tudo vendo como energia,
ódio é feitiço; paixão, magia.
Encontre-se nisso... então se renda!

Menção honrosa no VIII Concurso Nacional de Poesias Menotti Del Picchia.