quarta-feira, 24 de junho de 2009

Notas da confeiteira


Queridos leitores,

doce de lira é meu espaço particular,
inaugurado no dia 11 de abril de 2009.
Desde fevereiro, eu já participava do Poema Dia,
a convite de Victor Barone,
com um poema postado a cada dia 23.

Vieram-me, em seguida, outros convites.

Em maio, passei a integrar o Estúdio de Criação Poética,
por sugestão do idealizador Volmar Camargo Júnior,
após a aprovação dos demais membros.
Também em maio, ingressei no Mexe-mexe Poesia,
a convite da titular Beatriz - Compulsão Diária.
Ontem, aceitei o convite de Fátima Queiroz e Elza Fraga,
para integrar O gato da Odete.

Sempre que eu postar algum poema novo em um desses espaços,
convidarei vocês a me visitarem.
Hoje, a propósito, é dia de estréia!
Aguardarei vocês,
para conhecerem e comentarem Miada.
Um grande abraço e
obrigada por acompanharem minha produção.
Beijo especial a Talita Prates e a Carmen Martinez,
por haverem me presenteado com os respectivos selos
“Olha que blog maneiro” e “A dona desse blog é uma fofa”.

sábado, 20 de junho de 2009

Fotolito



Uma surpresa,
um passo em falso,
um tiro no escuro.
A correnteza,
um objeto sem calço,
o lado de lá do muro.
O ensaio,
um rabisco ao rascunho,
a tentativa.
Maio,
junho,
expectativa.
O miolo do pão,
o bumerangue,
o eco de um grito.
O porão,
o mangue,
o negrito.
Frações de mim
em fotolito.



Escrito em junho de 2006.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Medos



Carrego malas
pesadas e vazias.

Por que levá-las
se de nada
me servem?

As mãos parecem
menos frias
quando ocupadas.

As fantasias de alças
me [dis]traem

pelas calçadas.

Como de costume.


Onde haveria
um guarda-volumes?


sábado, 13 de junho de 2009

Noite dos namorados



Noite especial:
tudo aqui
lembra casal.
Pergunte a si
o que sente
[como fará,
afinal,
toda essa gente]
e se declare
ao pé do ouvido,
nem que o faça
a gaguejar.
Amor rendido
é que tem graça...
Eis o momento
e o lugar!

Poema exposto sobre as mesas.



Meu coração
em sua mão:
quer prova maior de amor?

O que seria
dos meus dias
sem você?

A resposta é sim!
O que perguntou mesmo
a mim?

eu e você
eu-e-você
euevocê

Por que não se atreve
e me agarra de leve!
[estamos em público]

Tanto tempo faz...
E amo você
cada vez mais!

O que mais quero
é começar do zero:
nosso primeiro beijo!

Às vezes, “tropeço”
e lhe peço desculpas.
Amo você!

Amigos, pelada, gelada.
Que nada...
Prefiro você!

Bilhetes, em formato de coração, disponíveis em murais.



Assim foi a noite dos namorados no Empório Artesanal, a casa mais romântica de Juiz de Fora:

Obrigada a Larissa e Bruno pela oportunidade de,
à luz de velas e sob a mira dos cupidos, divulgar o meu trabalho.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Ao aguardo do amor



Também sempre quis, amiga,
um amor que me viesse cantiga.
Que me ninasse
ao cair da noite
e me cantarolasse
à moda antiga.
Um amor ameno,
a menos
quando assim não o quisesse.
Um amor que soubesse
fazer-se meu
sem que eu
tivesse de pedi-lo.

Sempre quis, de verdade,
um amor que não gostasse
disso ou daquilo.
Um amor que concordasse
em ir comigo a todo canto
apenas pela minha companhia.
E que me trouxesse
menos dissabores
e mais alegrias.
De todos os meus amores,
o que me desse mais carinho,
o que me quisesse sua
sob todas as luas.
Mas um amor
que soubesse estar sozinho.
Que tivesse
afazeres particulares,
alguns prazeres
de quando ainda menino.
Um amor leve
que compreendesse
a ausência breve
de quando me sinto poetisa.

Também sempre quis, Elisa,
um amor que me aplaudisse.
Um amor maduro
que não temesse
me perder por tolices.
Que, seguro,
ele me motivasse a ser mais,
desprezando o ciúme
que, vez ou outra, sentisse.
Um amor que me beijasse
com suas mãos
em meu rosto.
Que me deixasse
na boca
um gosto de céu.

Cadê esse amor
que não sai do papel?
Que encomenda é essa
que não vem?
Metade de mim se desespera.
A outra metade é só de espera,
seja lá o tempo que passe.
Ah, eu sempre quis um amor
que assim também me aguardasse.


Diálogo, datado de 19/09/2006, com Elisa Lucinda, autora de Da chegada do amor:
http://www.escolalucinda.com.br/bau/dachegadadoamor.html

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Color-ir



A vida
é uma caixa sortida
de lápis de cor:


cada um
vive o tom
preferido que for.


Escrito há mais de 15 anos.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O tempo



O que é a vida
se não uma sucessão de ontens?
- penso eu.
O dia da morte
não será ontem
pra quem morreu.
Vive-se de criar
o ontem
do dia seguinte.
Vive-se de pintar
o passado
em quadros
de pouco mais
de vinte metros quadrados.
O hoje é ficção:
diminutos
fragmentos de minuto,
partes
de um ontem em construção.


6º lugar no 1º Concurso Literário da Academia Campista de Letras, realizado em 2009.

Prêmio: publicação na Revista da Academia.
http://www.camposletras.com.br/artigos.php?id=22

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Vitrine



A poesia
era minha.
Eu a fazia
e escondia
na gaveta.

A escrivaninha
ficou pequena
pra tanto papel
de rascunho
e caneta.

Que fazer
com tanto poema,
se o punho
ainda teima
a escrever?

Eu os ponho
na vitrine
como doces de lira.
É sonho ou você delira
quando os lê?


Quase 2 meses de vitrine: cerca de 500 visitas e 30 seguidores.
Obrigada a todos, até mesmo aos anônimos de todo canto do mundo.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Pelo ralo



eu protejo
o choro
até o banho

lágrimas
e gotas de azulejo
têm iguais
intervalo
e tamanho

e seguem
pelo ralo
indefinidas

- ninguém mais
pra saber de nossas vidas


sexta-feira, 22 de maio de 2009

Mero mortal



Ele

não vem
do diploma,

nem do juramento
de Hipócrates, do CRM,
do estetoscópio ou do bisturi.

É quem, no paciente, vê-se diante de si.

Aquele que examina e conforta.
E suporta a lágrima alheia
só pelo hábito do ofício.

Antes da carreira,
um sacrifício:

cuidar.




Homenagem aos competentes e atenciosos médicos que tanto nos auxiliaram no decorrer da semana:

- Dr. Cláudio C. Vieira Marques, meu querido e eterno pediatra, consultor de todas as horas.

- Dra. Elimar Jacob Salzer Rodrigues, psiquiatra, mestra e professora da UFJF.
(http://www.unimedjf.com.br/noticias_detalhe.aspx?id_conteudo=551&id_area=7&id_categoria=86)

- Dr. Antônio Gabriel Ribeiro Costa, oftalmologista.
(http://www.hojf.com.br/)


- Dr. Carlos Augusto de Albuquerque Damasceno, excelente neurologista.


terça-feira, 19 de maio de 2009

A saudade em 3 atos



I -
A saudade é perpétua
no intervalo
em que acontece.
Será que ela existe
- já que tudo que vive perece?
Será ela um elo
imaginário
que me une
a quem amo?
Um escape?
Um placebo?
Uma dor
que concebo
- e nem percebo -
para abrandar
a dor
da ausência?
A ignorância
de uma impaciência?
Uma farsa
de que o amor
é comparsa?
O reencontro
alinhava
esse corte
- ferida
que reabre
às despedidas.
A saudade não tem
como sina
a morte.


II -
Para a saudade
- elixir calmante
que intoxica
os amantes -
não há antídoto
ou algo
que a trate.
É como tempo perdido:
foi-se.
É sentimento exaurido:
foice
- a cujo rasgo
se costura
sem arremate.
Um engasgo
sem tapa
nas costas.
Uma ardência
sem o alívio
do sopro.
Um choro contido:
à mostra.
Um coração partido:
amostra
- caco de vidro
refratário.
A saudade
está perene
no calendário
- a datas não se mata.


III -
À saudade,
só uma ameaça:
a de que a graça,
o encanto
até por quebranto
se quebre.
Pois, enquanto
houver amor,
das entranhas
ela será febre.
Estranha
será, depois,
se houver
rompimento.
Ex-amor,
ex-saudade
dobram
juntos
o cruzamento.
E se desdobram
na dúvida
de que parti:
existiram por si
ou por invento?


Publicado no Poema Dia em 23 de março de 2009.
Avaliado, há poucos dias, pelo Estúdio de Criação Poética, que me convidou a integrar o grupo.


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Desde menina



Pequenina, dormia com Deus
e sonhava com os anjos.
Acordava com velas acesas
em meio a arranjos.
Minha mãe me falava de almas
e apontava o céu
como a casa do Pai.
Todos dizem
que a casa da gente
tem a aura diferente,
uma paz
que por nada
se esvai.
Meu avô
sempre esteve na nuvem
mais bela que havia
por detrás da colina.
Hoje entendo
o que diz o Pai-Nosso,
mas venho rezando
desde menina...


Escrito há mais de 15 anos.
Prêmio de edição no I Concurso Literário São Miguel em Prosa e Verso, realizado em 2004.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Dia das mães (dos filhos)



Filho,

de todos, você é
meu melhor poema.

O único pronto, acabado,
de que não tiraria um ponto sentado,
uma exclamação em salto ou mesmo um trema.

Você é a poesia de que fiz a caligrafia em papel de seda...

A única que diz o que há bem lá no ventre de mim
e que carrega, assim, em voz entonada,
minha maior interrogação:

_ A vida seria em vão?
Pelo não, obrigada,

filho!


Soneto blavino:
forma criada por Volmar Camargo Júnior e Juliana Blasina,
apresentada por Beatriz em
http://compulsaodiaria.blogspot.com.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A genialidade do óbvio


Era noite.
Apagou-se a luz.
Ainda na escada,
eu me pus
a sacudir a lâmpada
queimada,
para conferir
o filamento solto
de tungstênio.
E não é que dela
saltou um gênio?


Bizarro.
Concedeu-me
três desejos,
desde que hilários.
Lembrei-me
dos contratempos diários
e pedi:
_ Que a fumaça de cigarro
suba diretamente
ao nariz do fumante!
_ Que a mentira faça,
por instantes,
a mão de quem a disse
totalmente amarela!
_ Que, à próxima tolice
ou falta de educação de vizinho,
em minha casa
se queime
uma lâmpada como aquela!


O gênio sorriu,
atendeu-me,
mas partiu aflito.
Precisaria voltar quantas vezes
até que, ao mundo,
fosse dito
o óbvio?


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Revolta e medo


P____ !
Indignada,
nada censurável
que xingue,
inclusive em versos!
Cidade maravilhosa
- heresia.
Aqui não há poesia,
senão com revolta e medo.
Do dedo,
levaram-me, hoje, uma aliança.
Levaram-me mais que isso.
Sobretudo a esperança
de que a tudo me manteria alheia,
como quem ao mar revolto apenas assiste da areia
(praia em que não há salva-vidas).
Cidade de m____
- que me perdoem os poetas.
É que, nesta noite,
recuso-me, renitente, à hipocrisia.
Sobre estas linhas há lágrimas
- e que sorte a minha!
Bem poderia haver sangue...


Escrito em 2004, na noite em que fui vítima de roubo em Botafogo.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Versos perdidos

Aos poetas o computador literalmente engana.
Não há, ao final, evidências
do quão trabalhoso foi, afinal, seu trabalho.
Não há linhas riscadas,
palavras suprimidas
ou folhas de papel desprezadas.
Há somente versos perdidos,
como se jamais tivessem existido,
como se escrever fosse tão só intuitivo,
como se o poema na mente já fosse vivo,
como se poeta tivesse mãos assim tão abençoadas...


2º lugar no 4º Concurso Regional de Poesia da FACECAP
Faculdade Cenecista de Capivari/SP - 2004
Imagem: rascunho de Fernando Pessoa
http://www.biografia.wiki.br/fernando-pessoa-poeta.html

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Sell


era dela
o melhor cafuné
as unhas compridas
em meus cabelos compridos
percorridos
pelo vermelho do esmalte

era dela
o mais lindo pé
pequeno e macio
tão macio e pequeno
calçado
em calçado de dama antiga

eram dela
o braço esquerdo que eu segurava
os trejeitos que imitava
a casa da visita mais rotineira
a companhia pra Mozart
o beliscão de brincadeira
eram dela
a árvore da natal mais alta
o presente de natal surpresa
o salpicão da ceia à mesa
a oração feita à meia-noite
a meninice a disfarçar a idade
os meus sonhos
eram dela
- arandelas de saudade

domingo, 19 de abril de 2009

Profissão de fé



Eu não lhe peço
para crer em Deus.
Eu peço a Deus
para que Nele creia.
Pois a fé,
antes de mar,
já é areia.
Pó de que se nasce,
cinza em que se converte.

Eu não insisto
para que reze.
O requisito da oração
é que o sujeito da ação
a preze.
Não há quem compelido
acerte.
Rezar é verbo despido.
E quem reza obrigado o veste.

Eu não prego,
nem parafuso.
A fé, no ego,
é autocolante.
Só me recuso
a ficar silente
se O sinto presente
a todo instante.




quinta-feira, 16 de abril de 2009

Perdido em mim



Você vem
e sem pressa
me abraça.
Nessa demora,
meu corpo no seu
se enlaça.
Suas mãos,
na hora,
dizem pra ser assim.
Então logo
me ajeito em seu colo,
pra sentir,
num beijo,
você junto a mim.
E, nesse arrepio
que não é de frio,
eu balbucio,
ao seu ouvido,
que sim:
seu corpo
no meu perdido,
como se nele
tivesse fim.


Selecionado no 3º Concurso Guemanisse de Contos e Poesias, realizado em 2006.
Integra a obra Convergentes, publicada pela Editora Guemanisse em 2007.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Um cadim



Eu sou quase nada,
mas um pouco de tudo
que cabe em mim.
Sou minha alma
e sua morada.
Minha vida passada
e o que me guarda o fim.

Eu sou minha dúvida
e sua única resposta.
O que escondo aqui dentro
e o que deixo à mostra.
Eu sou pensamento
- quando falo
ou me calo.
Simplesmente o eco
dos meus nãos e sins.

E ainda sou você
quando você me toca...
Porque toda entrega
é troca,
todo encontro
é interseção velada.

E sigo assim
pra lhe ter em mim:
sendo só um cadim
ou quase nada.


domingo, 12 de abril de 2009

Renda-se!



Antes de me reputar tão insana,
procure render-se, uma só vez,
ao universo, sobre o qual se engana
aquele que nele busca porquês

para não crer no que está tão oculto
e, a um só tempo, tão revelado.
O mundo, em meio a esse tumulto,
pede ao homem que o sinta, calado.

Assim as vozes dos anjos nos vêm.
Enfim capazes de crermos além
do que nos dizem os olhos ser lenda.

E a tudo vendo como energia,
ódio é feitiço; paixão, magia.
Encontre-se nisso... então se renda!

Menção honrosa no VIII Concurso Nacional de Poesias Menotti Del Picchia.