Todas as noites,no aconchego dos seus braços,eu conto estrelasem um céu imaginário.Quantas estrelascabem em seu abraço...Chego a perdê-lasnos seus pelosque embaraço.Como podemtantas estrelasem tão diminuto espaço?Em seus braços,o céu que imaginoé sem compasso.Não tem fim,nem começo.E quando as estrelasenfim se apagam,eu adormeço.Classificado no Concurso Literário Internacional Mulheres Escritoras.Integra a obra Mulheres em Prosa e Verso,publicada pela editora Hoje Edições Ltda.
Eu tenho ficadocom o cansaço,o sumoque sobrou no bagaço,o resumoriscado,o trocado,o farelo.Por quese mereçotanto?Quer sol quem dá amarelo.Quer som quem oferece o canto.Quer colo quem divide a cama.Quer amor quem ama.Classificado no Concurso Literário Internacional Mulheres Escritoras.Integra a obra Mulheres em prosa e verso,publicada pela editora Hoje Edições Ltda.
Ele falou sem pensar. E a magoou.Ela pensou sem querer. E se trancou.A moçatranca mágoasno fundo de si.Eles quis se desculpar. E a abraçou.Ela desculpou. E não sorriu.A moça magoadanem mesmo abraçadasorri.Moçatem coração-poço.Moçotem coração-poça.O poço é profundo,a poça é rasa.A moça represa,o moço vaza.Ele seca,ela alaga.Escrito em 2008.
Meu amorpor vocême fragiliza:sou rosade pétalasfinas e lisasque vertemorvalhoao simplesfarfalhodas brisas...Presente de aniversário.
Caros leitores,Sobras e Contando estrelas,poemas que publicarei em breve aqui na confeitaria,foram classificados no Concurso Literário Internacional Mulheres Escritorase já integram a obra Mulheres Escritoras em prosa e verso.Pelo ralofoi classificado no Concurso Literário Brasil Poetae será publicado, ainda em 2009, na respectiva antologia.Mero mortal,poema que escrevi em homenagem aos médicos,cuja data se comemora hoje,foi utilizado pela Unimed de Juiz de Fora/MGno hot site do evento promovido anteontem na cidade:Festa dos Médicos.Convido vocês a conhecerem ou releremPelo ralo e Mero mortal.Aguardarei os comentários!Um abração a todos,em especial àqueles que, com zelo, exercem a Medicina.
O pronome
deveria ser seu!
É você quem,
desde cedo,
lida tão bem
com a folia e com o medo
de cada criança
na sala de aula.
E que não se cansa
de repetir,
ano após ano,
o mesmo ensino,
como se inédito.
É seu este notável mérito,
Vossa Excelência:
o de preparar meninos,
sem lhes furtar a inocência...
Homenagem aos professores.
Um beijo para tia Valéria!
Eu era menina
e o sol, mais ameno.
Ardia de piscina
e me curava no sereno.
Não havia protetor
ou o costume, pelo menos.
E o que então era indolor,
hoje noto ser veneno.
O homem tem tanto da cobra:
o chocalho, a presa, o bote.
Só não cobrou da natureza
trocar de pele como dote.
Como era bacana
brincar de cabana!
No meio da sala,
mais de três cobertores
a cobrirem cadeiras
dispostas em roda.
E a gente
lá embaixo
inventando moda...
Escrito há mais de 15 anos,
para minha irmã e primos.
Eu aposto
que não sabe
o que é aposto
e lamento
que tenha
esse desgosto,
pois a língua
é assento
e encosto.
à sua falta,
conversei com o dicionário
e que fato extraordinário:
ele só me fala
do que quero saber
falhou apenas
por um senão:
ao não me contar de você
Vangloriam-se
da façanha
de serem autoridades.
Ah, se neles
um pouco do Aranha:
com grandes poderes,
grandes responsabilidades.
No reflexo em que me vejo
- olhos nos olhos -
às vezes encontro virtude,
às vezes encontro pecado,
às vezes, bem amiúde,
sequer me encontro deste lado
à frente.
E, desta dúvida, em que procuro
- bem ou mal -
saber se existo,
ao final, o que restará somente?
Uma alma em Cristo
ainda dormente.
Escrito a partir da conjugação da leitura
de O auto-retrato e Espantos,
ambos de Mário Quintana.
Hoje, inclusive, o doce de lira está recomendado pelo wwwpesquisa,que traz o meu e os dois poemas do Quintana acima citados.Obrigada, Tereza Stancioli, por haver me indicado ao lado de um mestre!
Se o amor se acabou,
se de mim se cansou,
se assim se perdeu
o que
até então
se viveu...
Se a paixão se desfez,
se o destino apagou,
se a dor
se instalou
realmente
de vez...
Se as mãos se soltaram,
se os olhos se desencontraram,
se os passos seguiram
caminhos
distintos....
Se falta cumplicidade,
que se sobre coragem,
para ver que
esse fogo
já se foi extinto.
Poema escrito há mais de 15 anos,
classificado no 6º Concurso Álvaro Nuno Pereira.
Integra a obra Pérgula Literária VI,
publicada pela Editora Valença em 2004.
Antes de me agredir
e de tanto
me bater na cara
esta porta,
por que não para
para refletir:
quanto de felicidade
você suporta?
Escrito a partir de:
“Ser feliz é uma responsabilidade muito grande.
Pouca gente tem coragem.”
Clarice Lispector, em Um sopro de vida.
_ Quantas primaveras?
_ Bem mais que anos, minha cara.
Flor não é tão rara...
Presente de aniversário.
Ensinei-lhe não
a exclamação.
A entonação
ele já tinha!
Eu ensinei
foi o ponto,
o tracejo da linha.
Como se lhe dissesse:
_ Pronto, filho,
está apto
a redigir preces,
a rabiscar poemas,
a se deslumbrar em frases
quando queira.E prosseguiu
a aula-brincadeira.
_ Para falar de saudade, mãe,
eu posso usá-lo então?Foi quando lhe ensinei
os três pontinhos:
saudade são reticências no coração...
3ª Menção Especial – honraria destacada
no Prêmio Nova Poesia Brasil 2009.
o tempo passa e a idade avança
sem que a gente se aperceba da marcha
de repente não se é mais criança
inclusive mais cedo do que se acha
da queda da bicicleta à do beijo
da lágrima de manha à de charme
da repulsa ao sexo oposto ao desejo
o tempo segue em ruas sem alarme
quando se vê já se tem uma história
tão bela e rica, tão longa e antiga
que até de si quase a gente duvida
pois se tem como de ontem na memória
a lembrança da primeira cantiga
pela frente ainda toda uma vida
eis uma lição
bem difícil: abrir mão
é um exercício
Com pesar,
eu me despeço
do Estúdio de Criação Poética,
do Mexe-mexe Poesia
e do blog O gato de Odete.
Impossível conciliar
tantas atividades
com o Doce de lira
- que completa, hoje,
exatos 5 meses
e já me exige
bastante dedicação!
Obrigada pelos convites
de antes
e pelas portas
que sei
ainda abertas...
Não.
Nem mesmo um chamego
traz de volta o sossego
ao meu coração.
Doeu muito, sim.
Só eu sei que em mim
se perdeu um pouquinho da minha ilusão.
Carinho não apaga,
quando muito esconde a mágoa
onde a dor perde pra paixão.
Briga de amor é batalha
sem vencedor, nem medalha:
tristeza e rancor em vão.
Escrito há mais de 15 anos.
De que é feito o poeta?
De matéria
etérea
ou concreta?
Do fato
que vivencia
ou da utopia
que projeta?
Ele é feito
de sopro
ou de barro?
Ele habita
o corpo
ou a alma?
O poeta levita
ou mergulha?
A escrita
lhe é fagulha
ou despiste?
O poeta acredita
que existe?
Ele lhe beija a mão,
mas lhe priva
de beijar o pé
à justificativa
de que é
submissão
- como se o amor
não fosse,
por si,
servidão.