Assimque chegaao lar,livra-sede anel,brincoe colar...Por isso,não se tatua.Sem o prazerde despir-setoda,nunca maisestaria nua.Escrito a partir de:"Revelar a tatuagem é revelar o que, no corpo,esconde-se mais do que o próprio corpo,com o propósito, entretanto, de se revelar."Francisco Bosco, em Tattoo You, de Banalogias.
Insaciável a parede.Tão logo pintada,novamente se enchede sede.A perder-se,quase chegaa coitada:trincae infla,de si infiltrada.E, recostada à cabeceira,como se aindaà beira de um sonho,com a tintaeu me ponhointrigada,a indagar:_ A que assistiucada camada?Pois se logose consumiu a parede,não há de ter sidopor nada.Durante leituras de Manoel de Barros.
A vida é uma viaaonde se passa sem volta.A vida é um havia.
Se te sou motivode desagrado,porque vivoa te pedirpalavrasde apaixonado,por que te manténs,com tantos poréns,enfim,ao meu lado?É assimque amoe bem conheciasesses meus modosde século antepassado:o apego às poesias,o apreço pelo fado,o sossego das mãosem repousono avesso do bordado.Vazias,mas sempre ao aguardode um afagomais que querido,tido por inesperado,que te ponhasa meus pésrendidoe em minhas fronhasenamorado...Imagem: A Girl Reading in a Sailing Boat,de Alfred Chantrey Corbould, 1869.
Sobretudo à crítica,é imprescindível educação._ Narra o jogo, Galvão!
---------------faço-me-------------novelo de lã-----------teço-me casulo-----de modo que toda manhã-------chamam-me ao lençol-----------pra beber o sol----------------engulo-------------------e-------------------m--------------x-í-c-a-r-a-------------------d-------------------e-------------------a-------------------s-------------------aDurante leituras de Leminski.
Antes que te vás, merecidamente em paz,para conheceres os tantos saberes que nos são dormentes em vida,permite-me, por obséquio, uma tão breve despedida,que não ousaria atrasar-te a ida.Segue, homem, com toda honraria e haste à Ilha Desconhecida,consternada te digo, pois deixaste cada obra tuacomo que autografada comigo."todas as ilhas, mesmo as conhecidas,são desconhecidas enquanto não desembarcamos nelas"O Conto da Ilha Desconhecida
cortina cerradaa pálpebra enceradaas lágrimas secas
noitede estrelassem letrastudocomo gostariaum romancemudocom a poesia
Chamem-me de patriotaà vontade.Eu amoonde nasci.É daquiminha naturalidade.Distante,estou fora d'água,com a mágoade minha falanão ser boao bastante.Meu chão é este,em que pisoe me pronuncio,em que não precisodo desvioda língua e origem:palavra,paladar,papel moeda,lugare bandeira.Meus olhos,alhures,a tudo corrigem.Sou de almabrasileira.
Seráessa maniade revirar tudotão feminina,porque,um dia,toda meninabrinca de casinhae faxina?
O destino,senhor ou nãode si[que diferençafaz]um dia nos traze sorri,noutronos retirae lamenta.Da Terra[que gira]ir e virsão gracejosde menta:ardem,à medidaque venta.Para Tereza.
Por quenão desce,ainda quecabisbaixo,desse degrautransparente?É aqui embaixo,bem ou mal,que se aprendea ser gente.
Que fazer com o pingente,quando a correnteperde um elo?
Há homem (bobo)que ainda acreditaque mulher bonitasó ama dinheiro.Desculpa (tola)de homem que temeamar une femmee morrer solteiro.
e no entrededoum charuto cubano: o primeiroaceso sem isqueirono desassossegodos palitos de fósforoa lhe intrigarpelos lábios em pregapelo segredo da pegapelo medo de ser pegoPara Wally,em recordação de uma noite temática entre amigos.
ser mãe é repetiras lições de casaas piadas levesa piscina rasaas birras e grevesas missas e moussesos contos-de-fadaas estradas de terraas guerras de almofadaos sonhos e medosos segredos e descobertasos ímpetos e alertasser mãe é repetir-se
a poesianão é minha filha:não me vem do úterobaciae virilhaa poesianão é minha arte:não me vem do estudobibliografiae encartea poesia não me vema poesia não é minhaPara Lara Amaral,em um diálogo com seu poema Mãe desnaturada,publicado em 1º de maio no espaçoTeatro da vida.
A gente sabe muito um do outro,mas duvido que se conheça.Só se chega a uma vaga ideiado que alguém tem na cabeça.
não me fale de ontem,porque sou de agoranão me peça demora,porque tenho pressanão me cobre promessa,pois admito enganonão me venha humano:vivo prenha de marPoema publicado no Maria Clara em 10 de abril.
O melhordo amor,à minha maneira,não é amá-lointeiro,mas inteira.