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domingo, 4 de junho de 2017
Peça
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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017
domingo, 5 de fevereiro de 2017
Mulher
eu sou toda purpurina
sob a pele de cetim
poeira brilhante e fina
um cromossomo me fez assim
um cromossomo me fez assim
menina, era boneca
com vestido de jardim
orvalho que nunca seca
o espelho viu e contou pra mim
o espelho viu e contou pra mim
pareço falar demais
mas toda história é sem-fim
palavras pelos varais
o homem diz que falo em latim
o homem diz que falo em latim
tenho garras de leoa
e colo de querubim
sou mãe de qualquer pessoa
o amor se inventa no camarim
o amor se inventa no camarim
a rotina de armadilhas
ameaças de festim
com a força das virilhas
a mulher voa do trampolim
a mulher voa do trampolim
Tela de Frida Kahlo.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Rapunzel
Inicie a música antes da leitura.
eu sou
essa mulher
no alto da torre.
que o escolheu e lhe
ofereceu as longas tranças
pra que subisse e a encontrasse.
a caminhar distraído, você foi laçado.
sem saber o que o esperava. sem sequer
desconfiar do que lhe viria depois dos cabelos.
não lhe dei escolha. você teve de subir e escorregar,
subir e escorregar. subir e escorregar tantas vezes quantos
fossem os seus medos. de altura, de tontura, de devaneio. hoje,
eu o vejo da torre à metade do caminho. ainda perdido, desajeitado,
quase aflito. as tranças retas, você insiste em sabê-las curvas. eu espero.
eu esperei a vida inteira. sei que, um dia, terei a cabeça leve e a nuca livre.
e desceremos da torre juntos, finalmente de mãos dadas. degrau por degrau.
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quinta-feira, 15 de julho de 2010
Disparates
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Amor de rendição
Se te sou motivo
de desagrado,
porque vivo
a te pedir
palavras
de apaixonado,
por que te manténs,
com tantos poréns,
enfim,
ao meu lado?
É assim
que amo
e bem conhecias
esses meus modos
de século antepassado:
o apego às poesias,
o apreço pelo fado,
o sossego das mãos
em repouso
no avesso do bordado.
Vazias,
mas sempre ao aguardo
de um afago
mais que querido,
tido por inesperado,
que te ponhas
a meus pés
rendido
e em minhas fronhas
enamorado...
Imagem: A Girl Reading in a Sailing Boat,
de Alfred Chantrey Corbould, 1869.
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maria clara
sexta-feira, 14 de maio de 2010
À francesa
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
M' água
Ele falou sem pensar. E a magoou.
Ela pensou sem querer. E se trancou.
A moça
tranca mágoas
no fundo de si.
Eles quis se desculpar. E a abraçou.
Ela desculpou. E não sorriu.
A moça magoada
nem mesmo abraçada
sorri.
Moça
tem coração-poço.
Moço
tem coração-poça.
O poço é profundo,
a poça é rasa.
A moça represa,
o moço vaza.
Ele seca,
ela alaga.
Escrito em 2008.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Ama
terça-feira, 18 de agosto de 2009
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