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sábado, 5 de agosto de 2017

Na estação


toda a vida
andei de trem,
porque via graça
no apito,
na fumaça,
no som do atrito das rodas
sobre os trilhos entre as britas,
no vai-e-vem lateral dos vagões
por sobre a linha vertical e férrea.

as tardes eram tão bonitas,
que me escondi, certa vez,
e pernoitei no trem
: parado.

sem apito,
sem fumaça,
sem o som do atrito das rodas
sobre os trilhos entre as britas,
sem o vai-e-vem lateral dos vagões
por sobre a linha vertical e férrea,
passei a noite em claro.

era só o frio do metal,
era só o calafrio no escuro.
vagão duro sem janelas,
pó de caixas, fuligem,
saliva amarga.

ainda quero andar de trem,
só que não mais em trem de carga.



Fotografia minha.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Coragem!



Se o amor se acabou,
se de mim se cansou,
se assim se perdeu
o que
até então
se viveu...
Se a paixão se desfez,
se o destino apagou,
se a dor
se instalou
realmente
de vez...
Se as mãos se soltaram,
se os olhos se desencontraram,
se os passos seguiram
caminhos
distintos....
Se falta cumplicidade,
que se sobre coragem,
para ver que
esse fogo
já se foi extinto.



Poema escrito há mais de 15 anos,
classificado no 6º Concurso Álvaro Nuno Pereira.
Integra a obra Pérgula Literária VI,
publicada pela Editora Valença em 2004.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Morda-se!





Antes de me agredir
e de tanto
me bater na cara
esta porta,

por que não para
para refletir:
quanto de felicidade
você suporta?


Escrito a partir de:
“Ser feliz é uma responsabilidade muito grande.
Pouca gente tem coragem.”

Clarice Lispector, em Um sopro de vida.