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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Vida


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que silêncio é esse

que desassossega?

que som é esse

que cega?

que voz é essa

que some?

que luz é essa

no breu?

que sol é esse

só meu?

que chama é essa

que consome?

que sopro é esse

que desce?

que brisa é essa

que aquece?

que ar é esse

que é fome?

que chão é esse

que acolhe?

que solo é esse

que recolhe?

que casa é essa

a do homem?

que noite é essa

vermelha?

que sono é esse

centelha?

que sonho é esse

sem nome?


terça-feira, 26 de maio de 2015

Hari Om Tat Sat


a verdade
é que me deram
quase tudo:
nome,
sobrenome,
filiação,
religião,
língua,
pátria
e identidade.
quase tudo,
à exceção da verdade:
eu sou aquilo que não me deram.



Hari Om Tat Sat = aquilo que é a Verdade.
Criador e criação são apenas um.

domingo, 31 de julho de 2011

Quadratura



aquela que crê
aquele que vê
aquela que voa
aquele que pisa

- lagoa e brisa -

o menino dos olhos
a menina das asas
o menino baliza
a menina lama

- chão e chama -

a mulher borboleta
o homem soleira
a mulher labareda
o homem aquarela

- alameda e capela -

ele a postos
ela rendida
ele sereno
ela à altura

- terreno e quadratura -

[e num simples aceno
fez-se a Luz]



Àqueles que comigo presenciaram um milagre.
26 de julho de 2011

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pura magia





tivesse varinha de condão,
minha vida não seria tão distinta

talvez mais tempo livre
para preenchê-lo

a coragem de pôr tinta
laranja no cabelo

uma granja
em que criasse galinhas

a certeza de ter suas coisas
junto às minhas

nada além,
que a vida se basta...

[tivesse varinha de condão,
daria essa convicção à outra casta]


Em agradecimento à poetisa Mirze Souza,
por me ver com uma varinha de condão em cada dedo.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Imperatriz



e quanto mais se investiga,
maior a intriga:

o que quer
a mulher
afinal?

ser vírgula
(parêntese)
e ponto final

ter pílula
(êxtase)
e gozo real

ser península
(ilha)
e terra continental


Poema publicado no Maria Clara em 13 de março.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Sacerdotisa



Nasci com hábitos
de coruja.
Minha garatuja
continha estrelas.
Sozinha,
ergui um templo.
A exemplo do sol,
persegui o equinócio.

Entre o fogo e a água,
sempre fui a brisa.
Pelo poder da palavra,
escolhi-me poetisa.
Não seria
a poesia
um sacerdócio?


Poema publicado no Maria Clara em 13 de fevereiro.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Fada madrinha



Que no exato
instante da passagem,
sua abóbora 2009
se transforme em carruagem!


Escrito de brincadeira
para J. Rodolfo Lima,
que, durante o Amigo Secreto,
encomendou-me, anonimamente,
um doce de abóbora.

domingo, 12 de abril de 2009

Renda-se!



Antes de me reputar tão insana,
procure render-se, uma só vez,
ao universo, sobre o qual se engana
aquele que nele busca porquês

para não crer no que está tão oculto
e, a um só tempo, tão revelado.
O mundo, em meio a esse tumulto,
pede ao homem que o sinta, calado.

Assim as vozes dos anjos nos vêm.
Enfim capazes de crermos além
do que nos dizem os olhos ser lenda.

E a tudo vendo como energia,
ódio é feitiço; paixão, magia.
Encontre-se nisso... então se renda!

Menção honrosa no VIII Concurso Nacional de Poesias Menotti Del Picchia.