domingo, 27 de outubro de 2013

Óvni


na roça da minha infância,
em toda noite de céu estrelado,
minha avó chegava à janela,
abria os braços
e pedia num sorriso:
vem me buscar,
Ser do espaço,
mesmo que seja
pr'um breve passeio!
eu assistia àquilo
com medo,
por acreditar na minha avó
e, consequentemente, em ets.
a nave nunca veio,
pelo menos não na minha frente.
hoje,
sempre que chego à janela
e vejo as estrelas,
em segredo
abro os braços
e peço num sorriso:
vozinha, me espera...
minha nave também vai chegar.



Escrito durante a oficina A arte de tecer com o fio da memória,
ministrada por Raquel Lara Rezende na programação do Sesc Literatura,
promovido pelo Sesc Juiz de Fora.

7 comentários:

Fabrício César Franco disse...

Poetisa,

Sua avó, como todas as avós eu acredito, sabia das coisas. Que sejamos, no dia que nossa passagem estiver marcada, transportados para esse Elísio onde todas as avós, pais e demais queridos nos esperam, para passear pelo azul.

Beijo!

Ana Paula disse...

Declaração linda e emocionante para tua avó!
Beijo

Wilson Torres Nanini disse...

me deu uma saudade tremenda da minha vó.

Poesia é isso: feita para emocionar, resgatar emoções.

Abraço!

Bella Mendes disse...

Renata, você é uma descoberta deliciosa, seu Doce de Lira vai ser meu livro de cabeceira. Admiro muito a maneira como você brinca com o óbvio e o inusitado. Putz... um dia quero chegar lá! beijo grande!

Renata de Aragão Lopes disse...

Obrigada, queridos!
Pelo retorno, pelo carinho. =)

Rosemildo Sales Furtado Furtado disse...

Olá Renata! Passando para te cumprimentar e me deliciar com mais uma das tuas belas criações.

Beijos e muita paz pra ti e para os teus.

Furtado.

Lívia Gomes disse...

ah... essa avó que tem uma neta tão doce e terna quanto ela devia ser...