sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Sonambulismo


despertei
num sonho
com a dúvida
de quanta vida
disponho? e me
pus a contar o ar

molécula a molécula

e faltava. não havia
ar para tanto fogo.
o desejo não era
pouco, fiquei a
relembrar as
ardências

febrícula por febrícula

e desmaiei.
e acordei num
outro sonho com
a dúvida de quanta
vida disponho? e me 
pus a contar os mares

gotícula por gotícula

sem pressa. era ali que
o desejo habitava. era
essa a sua natureza
: o desejo é coisa
das águas. vem
da profundeza

náugrafo a náufrago




Imagem daqui.

2 comentários:

Sandra Teixeira disse...

"O desejo é coisa das águas e vem das profundezas" ...e as águas falam,as águas andam e vivas, fazem os sonhos acontecer.

Maria Rodrigues disse...

Belíssimo poema.
Beijinhos
Maria