domingo, 22 de setembro de 2013

Amor-dos-homens


ela achava prazer uma palavra
indecente.

e foi isso que me ensinou:
a indiferença dos olhos,
a amargura da boca,
a obstrução dos poros.

desobedeci:
lambi com os olhos,
explorei com a boca,
gozei com os poros.

eu acho prazer uma verdade
indecente.



Escrito a partir de uma conversa com Rizza Riizza,
autora dos dois primeiros versos.

7 comentários:

Renata de Aragão Lopes disse...

Que descoberta: dente-de-leão é também conhecido como amor-dos-homens.

Fabrício César Franco disse...

Renata,

Eu já ia comentar a sua escolha de ilustração, quando vi seu comentário. E que delícia (perdão pelo lugar-comum) ler um novo texto seu.

Beijo!

JP. disse...

lindo Renata!

adorei a evolução do poema, de como ele se torna sutilmente, carnal e prazeroso... sem jamais perder a delicadeza das imagens poéticas.

Um prazer, define.

Renata de Aragão Lopes disse...

Fabrício e João, leitores queridos... Muito obrigada pelos registros. Abração!

Assis Freitas disse...

e que vivam as indecências silábicas, salivares



beijo

andie ✡ disse...

uau!

Domingos Barroso disse...

transgredir com doçura
é uma doce transgressão
...