sábado, 10 de maio de 2014

Ano-luz


(talvez você não entenda,
eu mesma demorei
a compreender o fato)

desde o exato momento
em que me soube mãe,
tudo cresceu em mim:
o amor, o sabor, o olfato

meu filho ainda tão pequeno
e grande o bastante
pra me fazer gestante:
essa condição tão estranha
de criar na própria entranha
uma vida que não a minha
e maior que a minha
e maior que o mundo

(sim, é possível
que você não entenda
e não há problema,
isso não muda nada)

a cada vez
que me digo mãe,
tudo se clareia em mim:
o amor, a dor, a estrada

meu filho ainda tão pequeno
e grande o suficiente
pra me pôr consciente:
essa condição tão estranha
de ver além da montanha
um caminho que não o de agora
e maior que o de agora
e maior que o mundo

(não, ninguém entenderá,
é possível que julguem um desatino)

o menino
que habita meu ventre
é uma estrela

(sim, es-tre-la)

com trajetória celeste
desconhecida,
luz própria, calor,
grandeza

pequenina centelha
sem nome
que me veio trazer
a certeza:

também sou estrela,
somos todos estrelas
maiores que nós,
maiores que o mundo



Escrito para a querida amiga Débora Coghi.

5 comentários:

Arte & Emoções disse...

Para mim, o que existe de mais lindo numa mulher, é o amor incondicional que ela começa a sentir ainda pelo feto, quando sabe que está grávida. A partir daquele momento ela passa a viver somente em função do filho que ainda vai nascer, mas já existe em seu ventre. Depois que nasce, em alguns casos, o amor é tanto que causa até ciumes ao marido. Rsrs. Belo post Renata! ótima escolha.

Beijos e um ótimo dia das Mães para ti e para os teus.

Furtado.

manuela barroso disse...

Um emocionante e verdadeiro poema de amor incondicional.
Beijinhos, Renata

Luís Gustavo Brito Dias disse...

- que lindo, Renata. A sensibilidade de um anjo.

grande abraço.

Isabella Ladeira disse...

Coisa mais linda, Renata!!

Fabrício César Franco disse...

Poetisa,

O melhor verso foi escrito em carne e osso. Parabéns, pelo quotidiano de poetisa-mãe.

Um beijo!