quarta-feira, 2 de maio de 2012

Reveses


porque atingir uma meta
é quase sempre enfadonho,
daquilo que se alcança
se perde o sonho,
eu fiz da minha
o próprio caminho
: essa linha
      em desalinho
             que se pretende reta


e com a única meta
sabidamente infinda,
tanto que hei
de caminhar ainda,
eu saboreio
as incertezas do vento
: não é
      do titubeio
             dos passos
                   que se faz dança
                           o movimento?


a vida
é balé sem plié,
via sem acostamento


quem se
deslumbra
à luz do dia
(como se sua)
não se guia
(a contento)
à penumbra
das noites
sem lua


que perdição é maior que a ilusão de uma conquista?


11 comentários:

Fabrício Franco disse...

Eita, Poetisa, mas que coisa mais linda de se ler. Suas questões dentro do poema me fazem sair da leitura para me buscar respostas, e, movimento contínuo, fazem-me voltar - como em ciranda - ao início do poema, acrescentando novas compreensões a cada leitura. Gosto muito!

Com meu abraço, meus agradecimentos por dividir conosco textos tão bons.

Assis Freitas disse...

até vir a próxima, a conquista é enfado


beijo

Anderson Petroni disse...

Quantas bobagens por aí: sucesso, conquistas, objetivos, superação, meritocracia, bla, bla, bla, enfim, metas e mais metas. Quem se perde na secura destas bobagens deixa de saborear o doce (de lira?) das incertezas. Suas palavras são saborosas.

JP. disse...

oi Renata,

(quero me perder em alguns momentos, com a breve ilusão de algumas conquistas)e depois me des-iludir por ai, com meus sonhos vida a fora (e depois novas ilusões...). Adorei o poema.

bjo grande.

Marcello disse...

adoro seus versos Renata...

Lindos !!!!

Roberto Patrício disse...

:)
é legal perceber em outras palavras e de outras pessoas o sentimos ou pensamos...Vitória enfadonha...
:)

Isa Lisboa disse...

"Não se chega à meta a não ser para partir novamente" ;)

mfc disse...

Nunca o amor pode ser entendido à luz da posse...

Dalva M. Ferreira disse...

Via sem acostamento!

Magda disse...

Na vida vamos do "belo" ao "tédio"; do "fácil" ao "zique-zague do tormento"... Assim ela é, penso.

SImone Frois disse...

Lindos seus poemas Renata,nos fazem refletir sobre varias coisas dentro de nós.Abençoada esta sua sensibilidade e emoção que consegue nos falar tão a fundo.