domingo, 21 de dezembro de 2014

Senzala


a palavra
escraviza

de tudo que batiza
ela se apodera

a coisa deixa de ser
para chamar-se

àquilo que era
é dado um disfarce

toda máscara
é algema

como livrar-se
a coisa do nome?

a maiúscula apequena
o que nomeia

a tônica intimida
a tentativa

o próprio som
como correia

a própria vida
menos viva

a palavra
cativa


4 comentários:

Fabrício César Franco disse...

Poetisa,

Há dísticos aqui, que são sensacionais: "de tudo que batiza
ela se apodera

a coisa deixa de ser
para chamar-se

àquilo que era
é dado um disfarce"

Fabuloso!

Beijos!

Simone Lima disse...

Você tem o dom!!

Beijoo'o
flores-na-cabeca.blogspot.com

Rosemildo Sales Furtado disse...

Olá Renata! Passando para desejar um Excelente Natal e que o ano de 2015 seja de muita saúde, paz, amor, prosperidade e repleto de realizações para ti e para os teus. Temos um recadinho para o velho Noel. Espero que gostes. Rsrs.

Quanto ao post, belo e profundo poema. Adorei!

Abraços,

Furtado.

Dalva M. Ferreira disse...

Bárbaro!