sábado, 20 de novembro de 2010

Aos negros





que diferença faz
a cor da tua pele,
a textura do teu cabelo,
o passado da tua raça?

fica em paz!
o branco que se rebele
contra o próprio desmazelo
a irmãos de mesma graça.

- hipocrisia
de um povo mestiço
que se rejeita no outro
sem se dar conta disso.

- ignorância
de quem não percebe
que somos nós todos
de uma só plebe.


Dia da Consciência Negra.

22 comentários:

Por que você faz poema? disse...

A cor da pele não deveria fazer diferença, alguma - mas faz. Todos os dias devem ser dias conscientes, nao apenas hoje.

Mirze Souza disse...

FANTÁSTICO, Renata!

Amo sua inteligência que finge ser ingênua e é astuta!

Poucos saberiam destacar essas diferenças: Paz, Hipocrisia, Ignorância = Plebe!

Beijos

Mirze

Eduardo Buys disse...

Renata,
bom seu texto, que ví republicado no blog do Pedro Ramúcio, mineiro como Você.
Deu até vontade de tb ver no meu Blog do Varejo.
Abraço, Edu
ps: não tem face, ou ywitter, e nem dá para seguir o Doce de Lira. Ah, benditas ferramentas do bem....

Ribeiro Pedreira disse...

brasileiro é senzala, é oca, é oropa
infelizmente ainda há quem se ache dentro de uma só plebe.

Nadine Granad disse...

Renata:
Linda homenagem!
Sem dúvida é uma poetisa admirável ;)

Beijos =)

Solfejando poesia disse...

Meu cabelo que o diga, minha flor!
Continuamos preconceituosos... é da raça... o problema é que não assumimos...

Beijos, querida.

Álly

mural do ajosan disse...

Bela homenagem, Renata; valeu mesmo; abraços.

MariaIvone disse...

Renata, envio-lhe um poema do nosso grande poeta António Gedeão que, de forma exemplar, desmistifica esse preconceito.

"Lágrima de preta"

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar.

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente.

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume:

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.


Beijos

valéria tarelho disse...

Muito bonito, Renata! A loira aqui é afro-descendente, dia desses a família se reuniu em homenagem aos 90 anos da irmã de meu avô, vieram até parentes da África; a foto foi de um colorido ímpar, um degradê de peles: do chocolate ao leite e toda essa aquarela orgulhosa da mesma origem.

Beijo grande, flor!

Márcio Ahimsa disse...

Não deveria haver essa nomenclatura para designar etnia, deferença cultural, características físicas de cada povo do mundo... Essa palavra: "raça" veste somente o campo da biologia para identificação das espécies distintas... Sendo assim, espécie humana, raça humana, e nada mais que isso. Usar a palavra para critérios de segregação de pessoas, não é adequado.

Bom, é isso. Beijo, belo poema.

Pérola Anjos disse...

A consciência deve existir sempre. A discriminação, seja ela de qualquer espécie, só mostra o quão pobre é o ser que lhe carrega.

Beijos!

RICARDO disse...

"A consciência não tem cor."

Belíssimo poema Renata!

Beijo

Pipa. Agora eu era o herói. disse...

Sua métrica funciona como uma arma de precisão. Direto ao alvo. Eu diria mais, é uma melodia cantada num idioma muito estrangeiro,que não prende só pelo conteúdo, mas sobretudo, pela nota.


Forte abraço querida.

MariAne disse...

Nossas lágrimas de alegria ou tristeza, não trazem cor na expressão, são igualmente translúcidas, indiferente a cor que veste o corpo.
Nosso sangue vermelho azulado, denso ou aguado, nào é menos sangue de vida ou de morte.
O que nutre por dentro no corpo e na alma, transpassa o que é visível aos olhos.
"Que diferença faz a cor da tua pele?"
Linda reflexão Renata!

Vinícius Paes disse...

Negros, brancos, mamelucos, cafusos... confusos, somos nós, lutando contra nós mesmos, numa guerra xenofóbica.

bonito.
beijos.

Jaime Piedade Valente disse...

geneticamente um homem branco e um homem negro podem ser mais semelhantes que dois brancos ou dois negros

mas mesmo antes da biologia chegar já era óbvio que o racismo é uma estupidez

Desengavetados disse...

Oi,vc é a poeta mais temática que já conheci na vida rsrs falo poeta, pq detesto o rótulo poetiza. Soa elegante, mas parece que não atinge o sentido como tal.
Ah...passei um tempo sumida. Mas às vezes vinha te espiar. rs
Olha, to retornando...assim mesmo na forma do gerúndio. rs
Tenho gostado de tudo aqui...não pare! Bjos!

Andréa.

Berzé disse...

Oi Renata!
Gostei muito, se der, me visite.
abs.
Berzé
http://berzehq.blogspot.com/

Dri Andrade disse...

SOMOS TODOS UM SÓ, FEITOS DA MESMA MATÉRIA, QUEM DERA TODOS ENTENDESSEM ISSO.

BJS

Renata de Aragão Lopes disse...

Muito obrigada a todos vocês que registraram suas considerações aqui no Doce de Lira!

Beijos!

Barbara C disse...

Como dizia Marcelo Yuka ''cor da pele foda-se'', sim somos todos iguais.

Sandrio cândido. disse...

Eu por ser negro, fico feliz em ver pensamentos assim.
saudações