terça-feira, 2 de junho de 2009

O tempo



O que é a vida
se não uma sucessão de ontens?
- penso eu.
O dia da morte
não será ontem
pra quem morreu.
Vive-se de criar
o ontem
do dia seguinte.
Vive-se de pintar
o passado
em quadros
de pouco mais
de vinte metros quadrados.
O hoje é ficção:
diminutos
fragmentos de minuto,
partes
de um ontem em construção.


6º lugar no 1º Concurso Literário da Academia Campista de Letras, realizado em 2009.

Prêmio: publicação na Revista da Academia.
http://www.camposletras.com.br/artigos.php?id=22

34 comentários:

Renata de Aragão Lopes disse...

O tempo é surreal...

Talita Prates disse...

Gostei muito, Re!
Ah, o tempo...

i ILÓGICO disse...

poético!
filosófico!
"meditativo...."

bju-te


volte...para ler os outros...com calma...

Ernani Netto disse...

Lindo!

Reflexivo o seu poema...

O hoje é nada mais que o ontem de amanhã!

Bjaum

tania não desista disse...

surreal,sim,renata!
bjo
taniamariza

Ju Blasina disse...

Realmente, Renata!

O tempo está dentro de nós
E pesando sobre nós!!! (risos)

Junta este teu poema ao meu blavino 12, e estes com um dos últimos que a Márcia postou no Blog do estúdio e podemos dizer também que
"o tempo é a consciência coletiva que nos une"
Beijus

Renata de Aragão Lopes disse...

Talita, que bom que gostou!

Marcos, obrigada pela visita! Retornarei, sim, ao seu espaço.

Ernani, obrigada pelo comentário e pelo cadastro como seguidor!

Tânia, nossos poemas de hoje foram surreais! rs

Ju, realmente curioso que eu, você e Márcia tenhamos abordado, simultaneamente, o mesmo tema. Adorei a sua frase conclusiva. Daria ótimo "miolo" para um blavino! rs

Um abraço de blusa de lã em cada um!

i ILÓGICO disse...

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

modos

Tenho dois modos sobre o suportar o que é evidentemente real.
Uma hora que o tempo seja já,
ligeiro, urgentemente desgrudado de hoje,
amanha rápido e inesperado,
uma paisagem distante e clara de tão pura.
As coisas de ontem estão desconectadas com esta rapidez,
já vão dois dias desde então.
O outro é mais intenso e todo meu, tudo depende de mim,
de pensar e ser pesar de não ter,
de não ter havido,
de não ser possível amanhã.
O hoje é pesado.
É todo voltado para ontem.
Quando olho assim, vem tristeza, mas assim não esqueço,
perco o pudor, a estribeira.
Ponho viseira e não tiro olhos de lá, onde reencontro,
sonho, planos de virgem, desconhecido e louco: o depois de amanhã.
Assento deste modo no banco de madeira e não vejo nada à frente,
tudo é vida,
tudo é ontem e você.

O Profeta disse...

Mil caminhos
Esta viagem sem velas nem vento
Este barco na bolina das ondas
Esta chuva miúda transborda sentimento

Amarras prendem o gesto
Arrocham um coração que bate incerto
Uma gaivota retoca as penas com espuma
Levanta voo em rumo concreto

Partilha comigo “100 Anos de Ilusão”


Mágico beijo

VFS disse...

o tempo é a fragmentação do Eu.


tomo a liberdade de citar uma estrofe de um dos poemas do meu último livro, Interlúdios da Certeza.


"(...) Não somos o passado do futuro?"


Renata,
belíssimo poema.

Carta e Verso disse...

O passado é a única certeza que temos. Não podemos analisar o presente, pois é efêmero, nem conhecer o futuro que ainda não existe. O passado é o concreto. Só não podemos viver dele, se não a vida vai e não a vivemos, apenas a olhamos.
Ah, agradeço o toque no poema do Carta e Verso. No rascunho os versos estavam aliados, mas não percebi que ao publicar não estavam. Agora estão alinhados. Usei a sua sugestão em parte.

Ariane Rodrigues disse...

É verdade... Quem se livra do passado???

Adriana Godoy disse...

O tempo é um tema recorrente que sempre abre portas à poesia. E você fez um belo poema. Beijo.

meus instantes e momentos disse...

lindo teu blog. Parabens, foi bom vir aqui.
Tenha uma feliz noite.
Maurizio

Bea - Compulsão Diária disse...

As marcas de minutos, diminutos pontos de identidade. Sem isso nada seráimos, Rnata.
poema bem construído. Belo jogo com as palavras e imagens.

sel disse...

Oi,Renata,vim fazer-te uma visita e agradecer a sua tbém....esta definição de vida,foi maravilhosa..."partes de um ontem em construção"...tens razão...e olha,vivo tentando consertar os meus ontem...bjos!!!!

Renata de Aragão Lopes disse...

Marcos e Profeta, obrigada pelos versos adicionais!

Carta e Verso, obrigada pelo comentário! Irei conferir o blavino retificado. (risos)

Ariane, Adriana e Beatriz, obrigada pelo retorno! A cada postagem, já aguardo os comentários de vocês!

Maurizio, que bom que chegou aqui! Espero que volte sempre.

Sel, obrigada também pela visita!

Um abraço a todos!

Sabrina Davanzo disse...

Lindo poema, Renata! Linda sua delicadesa com as palavras! Obrigada pela visita.. tb voltarei sempre por aqui!

Um beijo!

Thais Zimerer disse...

Então menina! Essa blogosfera é uma coisa que vai envolvendo, envolvendo... qdo a gente vê, já não temos como sair. E nem queremos!!

Bjs baianos, nos falaremos mais!

William De Lucca disse...

o tempo é um bambolê aberto. :)

gostei do porme, do blog.
vou add nos favoritos.
se tiver msn, add aê.

deluccamartinez@hotmail.com

bjo

Audemir Leuzinger disse...

renata,
obrigada pelas palavras ao meu poema sibila, lá no poemadia.
gosto muito da sua escrita. parabens.

Priscila Rôde disse...

É lindo tudo que escreve!
Beijooos

Carmen Martinez disse...

E estou cá pensando como srta. Renata encontrou-me na vastidão... Grata e grata mais uma vez, por tê-la conhecido. Encantada.

Tião Martins disse...

Ganhei um relógio novo. Agora vivo em outro tempo... ;)

beijos renata

André Lasak disse...

Na realidade, eu acho que a vida é uma sucessão de amanhãs, hehehe.

Foi uma pena você ter perdido a votação, Renata, mas semana que vem tem mais... Fica o meu convite para você ler o texto do início escolhido.

Beijo!

Lubi disse...

renata,
que bonito.
poesia de verdade.

obrigada pelo comentário lá no coração na boca. santiago é meu sobrinho. e lindo. :)

Marcos Satoru Kawanami disse...

era o agora

Renata de Aragão Lopes disse...

Sabrina, Thais e William, espero que retornem sempre!

Audemir, colega de Poema Dia, obrigada pela gentileza de sua visita!

Priscila, grata pelo elogio!

Carmen, obrigada pelo imenso carinho de suas palavras!

Tião, andava sumido! Agora, de relógio novo, isso não se repetirá! (risos)

André, gostei muito do extremo oposto de seu entendimento! (risos) Irei, certamente, conhecer o seu mais recente texto.

Lubi, seu sobrinho é fofo! Obrigada pela expressão "poesia de verdade".

Adorei, Marcos, o "era o agora"!

Vocês todos são um estímulo para que eu mantenha aberta a confeitaria. Doce beijo em cada um!

daufen bach. disse...

OLá Renata,
lendo-te.

essa imagem de Dalí casa perfeitamente com o poema!

Einsten dizia que tudo é relativo. acredito que o tempo também é, depedendo do ponto de referência, do ângulo de visão.

para os poetas
sempre terá esse quê de surrealidade, de mil destinos.

abraço a a ti e parabéns lindo poema.

(quero agradecer a visita e as palavras gentís no meu blog.)

Renata de Aragão Lopes disse...

Ei, Daufen!
Eu é que agradeço por retribuí-las.
Volte sempre! Um abraço.

Neotenia disse...

Bela construção de palavras... Prêmio bem meerecido!

Renata de Aragão Lopes disse...

Obrigada!

Tay'' disse...

Ameii *-* //adorei o seu blog, tooh seguindo
:*

Vital disse...

acho que é por isso tudo que os relógios que o Dali pintava escorriam sobre si mesmos.