quarta-feira, 30 de junho de 2010

Amor de rendição



Se te sou motivo
de desagrado,
porque vivo
a te pedir
palavras
de apaixonado,
por que te manténs,
com tantos poréns,
enfim,
ao meu lado?

É assim
que amo
e bem conhecias
esses meus modos
de século antepassado:
o apego às poesias,
o apreço pelo fado,
o sossego das mãos
em repouso
no avesso do bordado.

Vazias,
mas sempre ao aguardo
de um afago
mais que querido,
tido por inesperado,
que te ponhas
a meus pés
rendido
e em minhas fronhas
enamorado...


Imagem: A Girl Reading in a Sailing Boat,
de Alfred Chantrey Corbould, 1869.

46 comentários:

Djabal disse...

Uma lembrança antiga e bela de uma música ainda atual, mas já sem lirismo, ou com um lirismo diferente. Parabéns pela imagem e obra. Beijos.

A Magia da Noite disse...

as palavras são o despertar dos sentidos, água que rega a flor do amor, que acorda os corpos despidos.

Wanderley Elian Lima disse...

Lindo soneto de amor, quase ingênuo.
Um abraço

Patrícia Gonçalves disse...

Lindo, seu amor de época!

Acho que amanhecemos todas apaixonadas, aqui amor de rendição, no meu amor inventado e na Sylvia amor partido!

Suspiremos!

Beijo grande

Mirze Souza disse...

Nossa RENATA!

Que lindo poema de amor. É tão difícil encontrar uma poesia assim.

Linda demais!

Beijos

Mirze

líria porto disse...

ninguém se negará a um apelo desses - assim, tão bem escrito...
besos

Stella Tavares disse...

Lindíssimo poema, Renata! Uma rendição encantadora, sem saída.
Adorei!
Bjs

Tiago Moralles disse...

Li musicado.

Ana Lucia Franco disse...

Renata, poema vintage, com gostinho de um tempo que parece ter ficado para trás, mas sempre possível de ser recriado.

bjs.

Lunna Guedes disse...

O amor de antigamente, porque será que a maioria dos poemas me remetem a um passado? Seria porque o presente me parece pouco romantico? Não sei. Enfim, adorei o versar e vou com ele pra casa.
Bacio

Marcello disse...

O amor nunca sai de moda, nunca perde sua cor e intensidade, somos nós que ficamos opacos.

O soneto me levou á época do romantismo exarcebado e que tanto aprecio.

Renata, suas palavras me inspiram.

Beijos

Solange disse...

romântico..está combinando com esta tarde um pouco fria e quieta..rs
bjs.

Ribeiro Pedreira disse...

sou amante do amor do século antepassado. do amor que não envelhece nem perde a graça.

Lááá... disse...

Renata!!!!!!!!!!!
ADOREEEEEEI!

Identifiquei- me com algumas passagens!!!

"esses meus modos
de século antepassado"

E assim é. Sempre há alguém ao nosso lado cheio de muitos poréns... Essa é a verdade.

Lindíssimo!!!

Beijão!!!

Í.ta** disse...

a maneira de amar é amar sem medida, né não?

lindosos teus versos! encantei-me traveis :)

beijo!

Lara Amaral disse...

Lindíssimo, Renatinha! Adoro seu romantismo, sua forma sincera de dizer.

Beijos.

RICARDO disse...

Prezada Renata

"De fato
a melhor maneira de amar
é amar sem formato
amar no ato
no toque, no tato.

Sua forma brisa de amar
descrita em tal momento
soprou-me o seu talento
refrescando-me a alma
nesse texto vento."

Beijo!

Isa disse...

Amar é sempre Amar em todos os tempos.
Lindo.
Gostaria que passasse pelo meu blog.
É 5ª feira. Deixei um miminho para si.
Que goste.
Beijo.
isa.

Pelos caminhos da vida. disse...

Lindo soneto.

Cheguei até aqui através do blog da amiga, Isa.

Gostei, voltarei com mais tempo para ver tudo.

Fica aqui o convite para conhecer o meu espaço, serás bem vinda.

beijooo.

nydia bonetti disse...

ai, ai... poema de fazer suspirar, renata. muita gente realmente não entende este "modo" antigo de ser e de sentir... é uma pena. lindo poema. beijos.

Zezinha Sousa disse...

Olá, Renata, obrigada pela visita e pelo comentário. Gostei muito do teu blog, voltarei outras vezes. Bjos!!!

Raven disse...

Ei, Renata! Essa mulher do poema... sou eu! XD

Moni. disse...

E quem disse que isso é querer muito???

Esses desejos vão além do tempo, das épocas, dos modismos.

O amor desconhece calendário.

Só pra variar, acertaste em cheio, Rê!

Beijíssimos, querida!

Moni

Talita Prates disse...

[ai... comentei, mas deu erro na página e acho que perdi o que havia escrito. Vamos lá, novamente:]

"Amor de RENDIÇÃO"!

o título - "teimoso!" (rs) - é de encher os olhos: repleto de sentidos!
(gosto tanto quando o próprio título
remete-nos a tantos pensamentos diferentes...)

Admiro muito o jeito e a precisão doce
com que você escolhe as palavras
(ou seriam elas que te escolhem?... rs).

Belíssimo poema! Gostei muito, amiga!
(Impossível não associá-lo ao "Maria Clara!)

Um bjo,

Tatá.

Adriana Godoy disse...

Uau, que paixão...ele há de se render. lindo, Renata. beijo.

Batom e poesias disse...

Tenho em mim um ladinho assim romântico, quase intocado.

Adorei o poema, Renata.
Delicadeza de uma moçoila com modos do século antepassado.
bjs
Rossana

Nadine Granad disse...

Renata:
Lindo... o melhor do amor clássico poeticamente suplicado!


Beijos =)

Barbara C disse...

Fazia tempo que não passava por aqui.

Belo poema...
é o amor ,amor amor só ele.

beijos

Anônimo disse...

re lindo,lindo,lindo
mas se bem entendí você é a pessoa que muito ama e é muito amada (graças a DEUS né?)
bjs tesoura

LOURO disse...

Olá Renata!

Simplesmente belo este teu poema...

A verdade(é)que só existe
uma dignidade terminal- o amor.
E a história de um amor não é
importante- o que é importante
é que uma pessoa é capaz de amar.
Talvez o único rasgo de eternidade
que nos é permitido ter.

Bom fim de semana,
brijinhos de carinho e amizade,
Lourenço

Fernando Segredo disse...

Que delícia de poesia!
Bjs

pablorochapoesias.com disse...

Render-se a seus versos é inevitável, Renata. Parabéns por todo este talento.

Beijos

Sylvia Araujo disse...

Linda a imagem dessa mulher na espera, sempre na espera...

Bonito demais, Renata.

Beijoca

j maria castanho disse...

Vigésimo Cálice

Arina, rainha dos astros e sóis
Que nos aquece e jamais esquece
Quem ama, se da tarde os atóis
Se inundam, eis que singela se oferece
E declama, como à luz de sua chama, nos tece.

E nos tem, sob protecção e tutela
Quando ao troar das trombetas liberta
O passado de seu túmulo e ao tempo acerta
Dando ao futuro o acumulo duma janela
Aberta, lente virtual que nos modela
Em alerta acenado A deus
Erguendo as mãos aos céus
Como Ela.

Dez dedos que são os nossos
Com outros dez que são os seus,
Depondo no alfabeto águas e ossos
Qual Xis a bailar ondeando véus
De gazes, de tules, de seda rosada
Estampados dédalos e labirintos
Cujas pétalas desenhadas camada
A camada, nos instruem os instintos
Nos sete sentidos da rosa desfolhada:


Olhar de pétala, lábios de veludo
Táctil cálice cuja sépala escuta
A concha do mar a degustar o escudo
No registo do Outro que tão-só executa
A empatia ao semear-nos pelo mundo.

E assim, água ardente vertida de oceano
Em oceano, sistema de líquido contínuo
Irriga-nos de sangue todo o ano
Por uma gota de momento exímio
E exíguo no equilíbrio suserano
De dois triângulos unidos pelo vértice
Da língua, enlaçadas margens do cálice
Na máxima míngua do estremecido ápice.

Comunhão do poder entre géneros
Acesos raios aquilinos do Sol universal
Onde o abraço resoluto das sementes e sócios
Gémeos nascidos da mesma luz na espiral
Em que os ócios merecidos são do labor igual
Além de mais igualmente da natureza – os números
Que põem e dispõem, ordenam o nível
Entre o lido e o por ler, o eterno e o perecível;
Entre o terreno e o espiritual, a matéria e o imortal

Rosa Carioca disse...

Já tinha saudades de vir aqui e ler belos poemas.

Daniel Moraes disse...

O amor deve ser cantado em prosa e verso. Tem texto novo no Sub Mundos. Bjus.

http://submundosemmim.blogspot.com

Alce disse...

olá Renata! obrigada pela visita aminha amiga. Vim ao seu cantinho e adorei. São lindos os seus poemas. Fiquei muito feliz por você me visitar e gostaria muito de ficarmos amigas. Um beijinho grande de sua nova amiga se quiser. Beijo grande do twemanho do Atlântico tudo de bom!

disse...

Apaixonante...apaixonada...

*Gê Ataide* disse...

Obrigada por sua visita...
Escrever é sempre uma manira de mostrar aquilo que pensamos... O que sentimos...
E quando passamos para as páginas aquilo que está em nosso coração sempre é de forma intensa e única, cada pessoa tem uma forma de passar isso, cada um que escreve tem uma forma única de escrever...
Adorei esse cantinho aqui e voltarei sempre...

Natalya Nunes disse...

Um amor à moda antiga...
com sensações tão recentes... tão presentes na eternidade...

LINDO, Renata! :)

Celso Andrade disse...

Amor - ai quem me dera!

Alvaro Oliveira disse...

Olá Renata

Antes de comentar seu poema, quero
deixar meu agradecimento pela visita e comentário, no meu humilde espaço.

AMOR DE RENDIÇÃO! Lindíssimo este amor, que infelizmente tão pouco
acontece nos tempos actuais.
O que mais me surpreendeu, foi esta linda referência "o apreço pelo fado". Este poema revela uma
alma verdadeiramente poética.
Adorei quanto me foi dado ler, nesta curta visita a seu espaço.
Voltarei.

Beijos

Alvaro

Sabrina Davanzo disse...

Aiui! Que amor antigo e romântico. lindo! : )

Dalva Maria Ferreira disse...

Magistral.

Renata de Aragão Lopes disse...

Queridos leitores,
muito obrigada por cada comentário!

Que este "Amor de rendição"
seja possível em nosso século!

Beijos a todos vocês!

António Amaral Tavares disse...

Cara Renata:

Talvez já não leia esta mensagem, mas coloquei este poema no meu blog A Casa Que Caminha. No entanto, há muitos outros que poderia lá colocar. Escolhi este pela eloquência musicalidade e rigor poético que possui, embora pareça ralhar ao destinatário do poema, o que o torna impossível de ignorar.
Parabéns e obrigado pela boa poesia