segunda-feira, 27 de abril de 2009

Revolta e medo


P____ !
Indignada,
nada censurável
que xingue,
inclusive em versos!
Cidade maravilhosa
- heresia.
Aqui não há poesia,
senão com revolta e medo.
Do dedo,
levaram-me, hoje, uma aliança.
Levaram-me mais que isso.
Sobretudo a esperança
de que a tudo me manteria alheia,
como quem ao mar revolto apenas assiste da areia
(praia em que não há salva-vidas).
Cidade de m____
- que me perdoem os poetas.
É que, nesta noite,
recuso-me, renitente, à hipocrisia.
Sobre estas linhas há lágrimas
- e que sorte a minha!
Bem poderia haver sangue...


Escrito em 2004, na noite em que fui vítima de roubo em Botafogo.

15 comentários:

Renata de Aragão Lopes disse...

O Rio de Janeiro continua indo...

Tião Martins disse...

Lindo mas perigoso... rsrsrssr. Como tudo que é lindo costuma ser.

Renata, eu e minha família já fomos tantas vezes assaltados, roubados etc no Rio em Niterói que nem é bom falar!

Mas o poema/desabafo ficou ótimo!

Cafundó disse...

Que bom trazer do medo a beleza da poesia, adorei teu espaço.

Renata de Aragão Lopes disse...

Que Deus (só há Ele mesmo!) os proteja, Tião.

Obrigada, Alyne! Irei cafundar também! rs

ParadoXos disse...

um dia todos os poemas serão assim!!


lindos...

Renata de Aragão Lopes disse...

Que elogio!
Obrigada.

Helder Herik disse...

E vamos tirar a poesia de denro de nos mesmo.

Gostei

Abração

Renata de Aragão Lopes disse...

Que bom, Helder!
Volte sempre!

L. Rafael Nolli disse...

Um belo poema, forte e contundente, retirado das entranhas!

Adrianna Coelho disse...


Rê, sou carioca, mas não defendo o Rio nesse quesito (violência). Digo sempre ao Marcelo que um dia a única saída daqui será pelo mar.
Seu poema me comoveu.

beijos

Bebel disse...

Lindo poema-desabafo...

Poético como todo poema e duro como todo desabafo... o que não deixa de ser lindíssimo.

Fui pro Rio em abril, acho que eu estava vestida com as roupas e as armas de Jorge :) nadica me aconteceu, ainda bem!

Boa sorte por lá da próxima vez!
:)
Beijo

Renata de Aragão Lopes disse...

Nolli, Adriana e Bebel,

que realidade lamentável, não? Para irmos a essa cidade tão linda, temos que, antes, praticamente nos benzer! Até hoje, fecho os olhos e vejo o rosto do menino que me abordou...

Beijo pra vocês.

Liza Santana disse...

Olá Renata. Agora sei o que é sentir a insegurança na pele.
Ainda bem que as palavras e poemas existem. Só neles expressamos tudo o que nos sufoca e nos maltrata por dentro.

Gostei dos seus poemas, e desse principalmente, pois reflete o momento que vivi.

Bjo!

Liza Santana disse...

Olá Renata. Agora sei o que é sentir a insegurança na pele.
Ainda bem que as palavras e poemas existem. Só neles expressamos tudo o que nos sufoca e nos maltrata por dentro.

Gostei dos seus poemas, e desse principalmente, pois reflete o momento que vivi.

Bjo!

Bruno Resende Ramos disse...

Oi Renata,

QUe belo poema! Como sempre verdadeiro. Sei que parte da sua verdade e que é de muitos, um poema que denuncia e abre-nos os olhos a tantas omissões humanas.

Bravo! Bravíssimo.

Gosto em ti, apesar de alguma amargura, o grande potencial crítico e alertador.

Eu a colocaria – pudesse –, nesse momento de decisão, nos primeiros resultados do Google.

Abraços