sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Comprimida



Sempre
que a noite
vem sem o sono,
ela venda
os olhos
com tarja
preta.
De si,
pra que legenda?
Se for
pra se ouvir,
que não compreenda.
O controle remoto
à gaveta.


Para Luciane Slomka,
em um diálogo com seu poema Tarja preta,
publicado hoje no espaço
Crer para ver.

40 comentários:

Luciane Slomka disse...

Amo essa tua capacidade de dialogar com poesia.
Amei tua visão "comprimida"... Amei fazer um pouco parte dessa confeitaria! Que honra!
Super beijo!
Lu

Renata de Aragão Lopes disse...

E que bom
você ter sido
a primeira a comentá-lo!

Muito obrigada
pela inspiração! : )

Um abração, Lu!

Vinicius disse...

Renata,

- Concordo com a Luciane; tu tens um talento ao diálogo do poema. É raro e
tu tens! Abraço.

Obs: Deixo o convite para que conheça e leia o poema do Submersos.

Liene disse...

Renata,

habilidade admirável,

e a cumplicidade também!

Parabéns às duas!

Marcelo Mayer disse...

poema para o nitrazepan 5mg

Marcelo Novaes disse...

Renata,



Se ela aperta o "pause" ou o "stop" por algumas horas, que possa acordar revigorada, e com "antenas ligadas".


Ansiedade filtrada não precisa ser, necessariamente, suicídio do entendimento, nem recusa do ver.





Muitas espevitadas driblam melhor o não-visto (como manha internalizada, desvio calculado do olhar) por serem menos frágeis. E mais cínicas.



Tendo a ter mais condescendência com as do primeiro grupo, do que com as do segundo, aparentemente "mais fortes". E mais vis.


(Os cínicos preferem as assim-chamadas drogas recreativas, e se refugiam mais na euforia do que na desaceleração, para eles IMPOSSÍVEL; substituem-na pelo "drible retórico" e outros arsenais definidos por "glamour", em linguagem "chique", ou em "manha", esperneio infantil mal-disfarçado, capricho; "manha" é a boa definição cabocla do modus operandi).



Quanto à minha condescendência, pode considerá-la "vocação humana", "dom", ou "viés profissional". Ou, ainda, minha própria escala de valores das fragilidades e / ou desvios mais ou menos aceitáveis.



;)



Bom poema!



P.S. E desculpa a digressão. Mas é que conheci algumas centenas de pessoas com o perfil da personagem (com variantes, claro). E elas confiaram em mim para mostrar as nuances e bastidores do gesto tão bem narrado no poema. E eu sou um apaixonado pelo que faço...





Beijos, e obrigado!









Marcelo.

Dauri Batisti disse...

Não sei como você caiu no essapalavra. Mas foi benvinda. Vim agradecer a visita e topo com um blog lindo. Você não só escreve, mas capricha. Vou continuar lendo...

Um beijo.

Juliano disse...

Muito haver com a noite que eu tive hoje.!

Beijooos

Mário Liz disse...

"se for para se ouvir,
que não compreenda".

que versos lindos ... é como se fossemos dógmas ...

Renata de Aragão Lopes disse...

Vinicius, convite aceito! E muito obrigada pelo elogio!

Liene, eu adoro quando, espontaneamente, surge essa "cumplicidade": eu me deparo com o texto de alguém e, de imediato, também escrevo sobre o tema! Luciane e eu trocamos visitas há cerca de 6 meses. Ela foi uma das primeiras seguidoras do doce de lira! O contato com ela já me fez adquirir livros e até uma obra de arte! Por tudo isso, sobretudo pelo carinho à distância que tenho por ela, é que fiquei imensamente feliz com este diálogo poético! Grata por apreciá-lo! : )

Marcelo Mayer, o poema propõe uma breve reflexão para ou sobre aqueles que recorrem a esses comprimidos...

Marcelo Novaes, com a autoridade que tem sobre o assunto, fez muito bem ao se referir a situações distintas. Há quem use tais medicamentos de forma responsável, apenas para filtrar uma ansiedade, para "desligar-se" durante a noite, em tempos de maior exigência emocional. E existem, por outro lado, os que deles fazem uso indiscriminado, como se, de fato, "drogas recreativas". Obrigada pelo registro deste alerta! E que você prossiga apaixonado pelo que faz... : )

Dauri Batisti, seja bem-vindo à minha confeitaria poética! Amei o que disse: "você não só escreve, mas capricha." Esteja certo de que aguardarei o seu retorno!

Juliano, sugiro, assim, que faça uma releitura de "Comprimida"...

Mário Liz, muito obrigada pela assiduidade com que visita o doce de lira! Sempre recebo seus comentários com enorme satisfação e alegria! : )

Um abração a todos!

Rafaela Figueiredo disse...

genial!!!
e os desenhos? sempre muito bem adaptados!!

beijos

Lara Amaral disse...

Perfeito! Adorei os dois poemas. Lindos, cada menina com sua forma de escrever e sua sensibilidade.

Beijos.

Felipe A. Carriço disse...

Ahh! Os barbitúricos...

O que seria do mundo sem eles.

Solange Maia disse...

ah... Renata, sua poesia encanta... já disso mil vezes, mas mil vezes mais ainda diria...

Um síntese de sentimentos tão complexos... uma elegância suave, tecendo as coisas desse mundo...

lindo.

lindo.

beijoca

sidnei olívio disse...

Show, Renata, o poema se extrai das coisas mais impossíveis. Gostei muito. Beijo.

A Moni. disse...

No final de tudo, parece algoz quem o receita... Lindo sempre, Rê!

Beijos...

Nydia Bonetti disse...

Já disse que me impressiona esta tua capacidade de fazer poemas sobre qualquer tema, não é? Muito bom. Beijo.

Graça Pires disse...

Em cada poema uma nova forma de ser cúmplice...
Beijos.

Ariadna Garibaldi disse...

Simplesmente brilhante! Ler-te é afagar os olhos e a mente!

Beijos

Ariadna

Tiago F. Moralles disse...

Comprimida, para uma noite comprida de cumprimento com o sono.

BAR DO BARDO disse...

Gostei do diálogo!

Beijo(s)!

tenorio disse...

Ei Renata, que poema inventivo! Parabéns!

Outra coisa: estou lançando um novo blog, que é um folhetim virtual onde o leitor poderá acompanhar, capítulo a capítulo, meu romance inédito “Garcia vai morrer”.

E este é um convite que faço para que visite o espaço, repare se gosta de alguma coisa, deixe seus comentários, me ajude a descobrir se o texto vale alguma coisa ou não. Espero vocÊ por lá!

garciavaimorrer.wordpress.com/

Renata de Aragão Lopes disse...

Rafaela Figueiredo, obrigada pelo "genial"!

Verdade, Lara: enfoques distintos de um mesmo tema! Que bom que gostou de ambos! : )

Boa pergunta, Felipe Carriço: "o que seria do mundo" sem esses comprimidos? Aproveito para fazer um acréscimo: o que estaria acontecendo conosco?

Solange Maia, repita-me mil vezes! (risos) Delicioso saber que vê, em minha poesia, "uma síntese de sentimentos tão complexos", "uma elegância suave, tecendo as coisas desse mundo..."

Sim, Sidnei: é que há poesia por toda parte...

E, talvez, eu a busque, Nydia, de vez em quando, nos lugares mais improváveis! Muito grata por sua admiração! : )

Brilhante comentário, Moni! Foi a única, até o momento, a analisar a responsabilidade de quem prescreve medicamentos tarja preta. Acredito que eles vivam, diariamente, um seríssimo dilema: o que seria menos agressivo para cada paciente...

Graça Pires, fiquei comovida com suas palavras... Nunca havia imaginado o poeta como cúmplice. Meu sincero agradecimento!

Querida Ariadna, seus comentários sempre me envaidecem! : )

Tiago Moralles, exercitou, até mesmo aqui, sua admirável capacidade de escrever microcontos!

Bardo, diálogo - sem farpas - é sempre bom! (risos)

Tenório, que satisfação recebê-lo novamente! Há quanto tempo não vinha provar um doce! : ) Certamente, visitarei seu folhetim virtual. Aprecio muito sua produção literária!

Abração, gente!

J.F. de Souza disse...

Esse escrito me deu alguma idéia... Vou ver se a desenvolvo.

Por agora, deixo mais um link de mais um escrito ao qual esse poema me remete:

"Ah, hoje tive um dia cheio..."

=*

Renata de Aragão Lopes disse...

Faça isso, J.F.!

O diálogo poético
está aberto ao público! : )

Adriana Godoy disse...

Belo diálogo....gostei muito. Beijo.

O Profeta disse...

Não sei quem vence!
Não sei quem leva a melhor
Só sei que um sorriso teu
Fez desabrochar das pedra uma flor

Com ela teci um tapete
Engalanei a sombra dos teus passos
Escrevi um derradeiro pedido numa pétala
Rogando a infinita ternura dos teus abraços



Doce beijo

Carla disse...

Olá Renata

vim agradecer a sua visita e fiquei encantada com a sua poesia
pura doçura
virei fã...

beijo no coração ;)

Pâmela Marques disse...

Perfeito. Adorei o texto!

marjoriebier disse...

Hoje, quem está comprimida sou eu!

Lúcia Soares disse...

Oi, Renata. Graças a Deus não preciso dessa muleta, de tarja preta. (rimou!).
Deliciosa essa sua capacidade de prosear em versos". Muito difícil, diferente. Você já publicou algum livro? Merece.
meu endereço de blog mudou: saiu o luciasumamordepessoa.blogspot.com e agora vem o: deamorede.blogspot.com
Quando quiser voltar, pra mim será uma honra tê-la no meu roll. Bj

Lídia disse...

Belo poema. Lembrou-me um diálogo de um livro chamado "A maçã no escuro", de Clarice Lispector:

" - Por que você toma tanto calmante?"

" - É assim: vamos dizer que uma pessoa estivesse gritando e então a outra punha um travesseiro na boca da outra para não se ouvir o grito. Pois quando tomo calmante, eu não ouço meu grito, sei que estou gritando mas não ouço, é assim."

Talita Prates disse...

Adorei, amiga.

Bjo. :)

Anônimo disse...

re,fico muito feliz por fazer parte da sua vida,muito obrigada pelo estímulo.
Depois que você passou a fazer parte da nossa vida,demos uma guinada legal.
beijos
tesoura

Valdeir Almeida disse...

Olá, Renata,

Interessante essa relação entre tarja preta e venda nos olhos.

Não sei em que situação foi criado o poema, mas uma coisa é certa algumas vezes, o uso de remédios para dormir, é como se tapássemos os olhos para não ver "as legendas" da realidade.

Muito obrigado pela visita ao meu blog e pelo comentário que você fez lá. Seja sempre bem-vinda, assim como eu sei que serei aqui.

Abraços.

joel disse...

Gostei de tuas poesias,
de ótimo nível.

Depois volto pra ler mais!

Um abraço

Luciane Slomka disse...

O dialogo rendeu!
Que bom!
Beijao querida!

Renata de Aragão Lopes disse...

Adriana Godoy e Talita Prates, que bom que gostaram de "Comprimida"!

Profeta, grata pelos versos!

Carla e Pâmela Marques, sejam muito bem-vindas ao doce de lira! Espero que retornem!

Marjorie, isso foi ontem... Tomara que, hoje, você já esteja bem melhor! : )

Lúcia Soares, o que mais desejo é publicar um livro! Estou apenas a me perguntar, por ora, qual seria o melhor caminho... Obrigada pelo incentivo!

Lídia, que linda e perfeita a correlação que fez com o texto de Clarice!

Tesoura, todos vocês também coloriram a minha vida... : )

Valdeir Almeida, obrigada pela interpretação certeira do poema! Sim, terei sempre um enorme prazer em recebê-lo!

Joel, agradecida pela expressão "de ótimo nível"! Aguardarei seu retorno!

Lu, como rendeu... : )

Beijos!

J.F. de Souza disse...

Renata! Lembra que eu disse que isso aqui tinha me dado uma idéia boa, e que eu ia desenvolvê-la?


Pois...

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Comprimidos (A vida em drágeas)

uns dias
quero dormir.
preciso descansar
mas o sono não vem.

e não quero ficar, no dia seguinte,
com aquela cara de acabado,
me sentindo um zumbi.

outros,
quero curtir.
aproveitar a noite,
fazer algo mais dessa vida,
desanuviar.

o que interessa
é me divertir
e, no dia seguinte,
ter história pra contar.

vivo cada dia
na resposta a essa pergunta:
calmante ou dopante?
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Renata de Aragão Lopes disse...

J.F. de Souza,

eis a questão:
"calmante ou dopante?"
E, ainda assim,
o que lhe garante
um dia seguinte
com bom semblante?

"A vida em drágeas".
Muito bom havê-lo inspirado!

Grande abraço!