segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Agosto



e sentiu um prazer estranho
sem razão
forma
ou tamanho

uma sensação repentina
enquanto caminhava
da porta
à janela sem cortina
de onde avistava
uma capela
entre telhados aquecidos

como se tudo
enfim estivesse posto
no lugar devido
e a gosto


Vista do Morro do Imperador - Juiz de Fora/MG

29 comentários:

Renata de Aragão Lopes disse...

Amém.

meus instantes e momentos disse...

belo post. Lindo blog.
Muito bom.
Maurizio

mariab disse...

uma sensação de conforto. por vezes tudo parece estar no lugar certo... :)
beijo

sopro, vento, ventania disse...

Renata,é estranho ver que a vista que você vê é a mesma que me perturba quando olho o Largo do Machado, um bairro muito é... como direi, entre a tradicional arquitetura de uma capela central em meio a um praça e prédios da década de 60/70 (talvez, pois não entendo direito)que sugerem o progresso sufocando a memória.
E sempre que olho o Largo do Machado tenho a sensação de que fui espoliada de minha história pelo peso de uma nova história sem viço, sem verdade. Estranho, né? E o mais estranho é que jurei, até ler a legenda de sua foto, que se tratava desse espaço carioca.
Mas o texto é que evoca o mais importante (e talvez uma solução para o meu desconforto de milênios): "está tudo posto" - e não há o que fazer, apenas aceitar e entender.
bonito texto e grata a solução pra uma "questão" (rs.) antiga minha.
um beijo.
Cynthia

Maldita Futebol Clube disse...

que legal Rê...muito bonito e sensivel poema . um post líricamente poético. Muito bom! beijos.

Nydia Bonetti disse...

Um poema que transmite imensa serenidade. Belíssimo, Renata. beijos.

Leandro Jardim disse...

Bonito! gosto mesmo dos seus poemas!

beiJardins

Felipe Marques disse...

Poema de Prima!
Um bombom de lira!
Cansada desse elogiorima? (rs)

bjs e abs

Ju Blasina disse...

Que poema lindo, delicado (como sempre) e muito visual!
Da gosto de ler!
a gosto - agosto - mto bom!
Parabéns e beijinhus

Lara Amaral disse...

Nada como nos sentirmos em casa e achar que aquilo está ali só para admirarmos.
Vc descreve tudo de forma muito bonita e delicada, gostei! Adoro vir aqui. Abraço.

nina rizzi disse...

gosto de poemas que se iniciam feito este: já estavámos no quadro-poema antes que vc o compusesse. a gente ai, com gosto :)

beijo.

Canduxa disse...

Tudo está onde deve estar...aqui está a prova disso.
Lindo poema!
beijinho

Talita Prates disse...

Esses insights são como presentes, não?
Lindo, Re!

Em J de Fora não se fala "uai"?! Uaiii, mas que tipo de cidade mineira é essa?! rs
(Aqui em Cajuru se fala muito uai...)

Bjão!

Renata de Aragão Lopes disse...

Maurizio e "Maldita", que bom que gostaram!

Sim, Mariab e Nydia: conforto e serenidade também para mim...

Conheço o Largo do Machado, Cynthia! Consigo imaginar esse mal estar que descreveu. Talvez, despretensiosamente, eu tenha lhe dado mesmo uma "solução": buscar alegrias ante uma situação consolidada. O curioso é que escrevi este poema exatamente do lado oposto ao da fotografia. Escrevi de frente para o Cristo. E a fotografia é a vista que se tem do Cristo para a cidade. Um reforço desta ideia de que você realmente olhe o bairro (e a vida) sob outro ângulo...

Obrigada, Leandro, por registrar que gosta mesmo dos meus poemas! Muito gratificante saber disso.

Felipe, jamais me cansarei desses elogios... Batizei o blog e não foi à toa! : )

Ju e Lara, vocês duas citaram a delicadeza de minhas palavras. Obrigada!

Nina, adorei o que me disse! Não havia percebido este "detalhe" de que o leitor já estava inserido na cena antes de o poema iniciar-se. Muito grata pela análise!

Canduxa, você sempre tão amável...

Foi exatamente isso, Talita: um insight, enquanto caminhava, de fato, da porta a uma janela sem cortina! A cidade de Juiz de Fora fica mais próxima do Rio de Janeiro que de Belo Horizonte. Por isso, regra geral, torcemos pelos times cariocas e não falamos "uai", nem "trem", nem "sô"! Diria que falamos um mineirês atenuado! (risos)

Um beijo a cada um de vocês!

Graça Pires disse...

Às vezes é assim. Tudo no lugar certo. Então as palavras são chamadas e evocar a paisagem para sempre.
Um beijo.

Luciane disse...

"Poetry is not a turning loose of emotion, but an escape from emotion; it is not the expression of personality, but an escape from personality. But, of course, only those who have personality and emotions know what it means to want to escape from these things"
T. S. Eliot

Lembrei que tu ia gostar disso que o Eliiot disse!

Bjos!

Clara Gontijo disse...

Doce de Nata! Sua lira é encantadora!
já visitei este cantinho algumas vezes, e assim como agora me deliciei!
Já está em meus favoritos, adoro o jeito simples, inteligente e doce como escreve.
Minhas postagens são muito esporádicas, seus comentários foram um belo incentivo, obrigada!
Voltarei, ainda neste agosto :)
beijos.

Lucho disse...

Realmente bonito. Certas coisas só podem ser vistas em sua natureza primeira.

Lindo Poema.

Seguirei este blog!

Beijo!

Lucho disse...

As coisas, em geral, estão sempre dispostas à gosto. Basta termos a sensibilidade de aceita-las em suas cruas essências.

Seguirei este blog!

Beijos!

bordadosdemim disse...

Vim retribuir a visita e amei tudo o que vi! Este poema, em especial, está a gosto! ( a gosto da boa poesia) Parabéns


Ariadna Garibaldi

Úrsula Avner disse...

Delícia de poema Renata ! Amei o jogo de palavras- Agosto / a gosto
Poema leve, sonoro, ritmado e bonito. Bj com carinho.

Renata de Aragão Lopes disse...

Graça, obrigada pelas palavras sempre gentis...

Lu, gostei mesmo da citação! Será que consiste a poesia, realmente, em uma tentativa nossa de escape? Ficarei com a reflexão.

Clara, doce foi o seu comentário! Retorne, sim, ainda em agosto! E sempre! Esteja certa de que também lhe visitarei... esporadicamente, se for o caso! : )

Lorenzo, obrigada por se cadastrar no blog desde a primeira visita! Não faz ideia do quanto me alegro com isso!

Ariadna e Úrsula, grata pelos elogios!

Um abraço a todos vocês!

Adriana disse...

Renata,
fiquei com gosto de quero mais...belísimo poema

Marcelo Novaes disse...

Renata,





Esse súbito encaixe do lugar (e razão de ser) de cada coisa é, por si só, poético. E vc o situou em poucos metros quadrados descritos nessas linhas.


:)







Beijos,









Marcelo.

BAR DO BARDO disse...

isso é que é "poema visual"!

senti-me transportado por você, poeta!

Maria Paula Alvim disse...

já que é assim, que venha agosto :)

Adriana Godoy disse...

O Bardo disse o que senti. Beijos.

Renata de Aragão Lopes disse...

Adriana, Marcelo, Bardo, Maria Paula e Dri Godoy, obrigada pelo reconhecimento e estímulo constantes! Um abração pra vocês.

Rafaela Figueiredo disse...

nessa junção, a poesia ficou perfeitamente imagética!
ainda q as palavras transcendam à 'moldura'... :)